Francisco Inácio

Os bancos em Angola não são tão bem protegidos, sobretudo as dependências ou agências bancárias, comparativamente ao nível de segurança e vigilância de outros países, embora os assaltos a mão armada sejam acontecimentos raros. No entanto, existe um risco latente que faz lembrar o velho ditado: "Mais vale prevenir do que remediar".

A actividade dos bancos e indispensável a vida da economia de um país, ou mesmo de um indíviduo. Às vezes, e por motivos diversos, somos obrigados a recorrer aos seus préstimos para resolver determinadas situações que ocorrem no dia-a-dia. Tal como a pessoa que bate a porta do vizinho, aflito, com o objectivo de fazer um "kilapi" (empréstimo).

Hoje, ao invés do tradicional kilapi, existem os bancos. E a essas instituições financeiras que pessoas singulares e empresas recorrem para guardar ou pedir emprestado uma quantia em dinheiro.

No entanto, e tal como acontece com o vizinho, existe um factor importante na relação que se estabelece entre a pessoa que pede o empréstimo e o emprestador (credor ou banco), que é a confiança.

Aliás, neste momento os esforços que os governos fazem para combater a actual crise financeira mundial visam exactamente o restabelecimento desta palavra que se tornou uma meta: confiança. Segundo dizem os entendidos na matéria sobre a crise financeira, ela se perdeu por causa de uma crise de valores éticos e morais.

Para o nosso caso, a crise não é a nossa maior preocupação, atendendo que o sistema bancário angolano não foi afectado pela crise financeira internacional. Basta ver que até agora não há notícia de falência de um banco devido à referida crise.

Para nós, o que preocupa mesmo é a segurança do património físico e a protecção dos funcionários e clientes dos nossos bancos. Ou, resumidamente, o que nos preocupa agora é a segurança bancária, que pode ser definida, em sentido lato e simples, como o conjunto de actividades do ramo da segurança que tem como objectivo prevenir e reduzir as perdas patrimoniais numa instituição bancária.

No entanto, essa preocupação ainda é vista com "olhos míopes" pelos responsáveis bancários. A graduação desta miopia, ou negligência se quiserem, está a tal ponto que em muitas agências bancárias os guardas de serviço não tem sequer uma arma, como se constatou recentemente no assalto a uma das agências do banco BIC.

Além disso, o sistema de segurança, no geral, está muito aquém dos novos meios electrónicos e das novas técnicas de protecção de bancos. Estamos a referirmo-nos concretamente às agências ou dependências bancárias do nosso mercado.

O paradoxo da segurança

Noutros países, como os EUA, dado o nível de desenvolvimento tecnológico do seu sistema de segurança, as forças de ordem públicas afirmam que roubar um banco é um crime que não compensa. Mas tais declarações entram em contradição com o elevado índice de assaltos que todos os dias se registam nesses paises. É um paradoxo, porque o que se nota é que quanto maior for a segurança mais avançada é a tecnologia utilizada pelos assaltantes.

Entretanto, é obvio que os bancos mais desprotegidos sejam vítimas até de ladrões que empunham apenas uma navalha. Em Angola, felizmente não há registo de muitos assaltos a bancos por esquadrilhas ou ladrões individuais.

Para dar um exemplo, em 2008 não houve registo de assaltos a bancos. No mesmo ano, segundo um bancário português, aconteceram cerca de 300 assaltos em Portugal. E segundo o jornal O Público, em 2007 foram roubados 139 estabelecimentos bancários e outras instituições de crédito. Contas feitas, chega-se à conclusão de que a cada 60 horas - o que equivale a dois dias e meio - foi roubado um banco (edição de 05/09/2007)".

Há, isto sim, assaltos a pessoas que depois de levantarem o dinheiro no banco são surpreendidos pelos ladrões no meio da rua ou a alguns metros do perímetro do banco.

Por isso, é comum as pessoas ao saírem destas instituições financeiras terem a sensação de estarem a ser vigiados ou perseguidos pelos "homens do alheio".

O caso mais recente de assalto à mão armada a uma agência bancária aconteceu na semana passada em Luanda. E a vítima foi o Banco Internacional de Credito (BIC), que é presidido pelo economista Fernando Teles.

Leia mais sobre investimentos em sistemas de segurança nos bancos em Angola na edição impressa do Jornal de Economia & Finanças, que já está nas ruas.