ISAQUE LOURENÇO

Depois de o “tsunami” financeiro ter abalado o sector bancário angolano, sobretudo, no segundo semestre deste ano, os bancos parecem ter percebido os sinais e oportunidades trazidas pela crise à economia.

A mudança de estratégia, que consistiu na adopção de uma política de captação de divisas e reforço da circulação da moeda nacional, enquanto moeda de eleição nas trocas, bem como a expansão dos canais e formas de pagamentos, com realce para o uso dos multicaixas, ofereceu, no referido período, uma posição de vantagem ao kwanza ante o dólar.

Assim, nas concessões de créditos a clientes, especialmente àqueles destinados ao consumo e outras operações internas, os bancos sobrepuseram o kwanza ao dólar norte-americano, anteriormente principal referência nestas operações.

Políticas do BIC

O presidente do Conselho de Administração do Banco Internacional de Crédito (BIC), Fernando Teles, disse, em Luanda, durante o IIº Fórum sobre Economia e Finanças, organizado pela Associação Angolana de Bancos (Abanc), que a instituição que dirige aposta na valorização da moeda nacional, como forma de fortalecer o sistema financeiro e permitir que as transacções comerciais continuem a alimentar a vitalidade do mercado. Esta é, para ele, uma das formas que o BIC encontra para reduzir a intervenção do dólar na economia nacional.

Segundo o gestor, o BIC possui uma carteira de depósitos em kwanzas que representa 60%, contra os 40% em moeda estrangeira. Fernando Teles anunciou a intenção de continuarem a orientar a sua actividade no aumento das operações em moeda nacional, visando torná-la mais atractiva.

“De um tempo a esta parte, temos dado uma preferência à moeda nacional nas nossas operações. Desta forma, diminuímos a intervenção e circulação do dólar na economia”, afirma.

Para tal, Fernando Teles aponta a aplicação de taxas que permitam aos operadores económicos verem no kwanza a sua moeda de eleição.

Contudo, Teles reitera a necessidade de liberalização na circulação do dólar, sempre em observância à lei, como forma de evitar que esta ganhe protagonismo indevido.

A aposta do BPC

Por sua vez, o Banco de Poupança e Crédito (BPC), através do seu presidente do Conselho de Administração, Paixão Júnior, defende a eleição única do kwanza nas diferentes operações internas, considerando-a uma medida de protecção e valorização da nossa moeda.

De acordo com o PCA do maior banco comercial da rede retalhista do país, os indicadores apontam que o volume de créditos concedidos atingiu os 90% em kwanzas, contra 10% em dólares, ao passo que a carteira de depósitos está estimada em 80% na moeda nacional e 20% em divisas.

“Vamos continuar a liderar o processo de financiamento à economia, com preferência para as operações em moeda nacional”, disse.

Uma vez ser esta a instituição financeira que mais crédito à economia concedeu, o seu gestor garante que apenas os actos de importação, devidamente comprovados, merecerão algum crédito em dólar, cumprindo assim as políticas coordenadas que têm vindo a aplicar conjuntamente com o Banco Nacional de Angola.

Paixão Júnior recordou, igualmente, que uma vez se tratar o BPC de um banco estatal e de capitais públicos, a defesa dos interesses do Estado continuarão a merecer prioridade.

Nova imagem

A partir de 2010, o Banco de Poupança e Crédito (BPC) inicia uma nova era na sua política de expansão da rede, gestão da relação com os clientes, assim como a melhoria da área corporativa e de comunicação institucional.

A directora de marketing do banco, Sónia Antas, disse que todas estas mudanças, idealizadas internamente, terão visibilidade nos próximos dias, uma vez que estas nova imagem institucional e corporativa visa diminuir as enormes filas de espera, que se registam até aqui nos balcões da sua rede, além de melhorarem a sua actuação no âmbito da responsabilidade social da instituição.

Sónia Antas garante para o próximo ano um banco a altura das solicitações. “Neste processo de inovação, pensamos dar atenção à área de atendimento dirigido para a classe alta e grandes empresas e garantir um banco moderno, concorrente e muito comunicativo”, finaliza.