FRANCISCO INÁCIO

O bom desempenho da banca durante o exercício de 2008, favorecido pela estabilidade dos indicadores macro económicos alcançados a partir de 2006, e o surgimento de novos players, numa média de um novo banco por ano, ao longo dos últimos cinco anos, criam um ambiente de maior competitividade e desafios na banca angolana. Neste contexto, as instituições bancárias arregaçam as mangas e com a caneta em punho traçam novas estratégias para se defenderem da concorrência e se manterem na liderança.

Ao longo do primeiro semestre do corrente ano, os depósitos à ordem e a prazo cresceram 13,59% e 8,95%, respectivamente. Para atender a este crescimento, os bancos apostam em acções que visam melhorar a eficiência e inovam os seus produtos e serviços financeiros. Na linha de frente deste processo estão os bancos Millennium Angola (BMA) e o Africano de Investimento (BAI), que oferecem as opções de poupança com as mais altas taxas de juro. O Millennium é dos poucos bancos comerciais que lançaram nos últimos três meses novos produtos e serviços financeiros, facto que lhe valeu a atribuição do prémio “The Most Innovative Bank” (o banco mais inovador de Angola, numa tradução livre) pela revista EMEA (Europa, Médio-Oriente e África) Finance.

Aplicações em kuanzas com taxas atractivas

Os bancos comerciais dispõem de varias escolhas de poupança com taxas de juros que variam de 4% a 16% e prazos que duram de 30 a 360 dias. As aplicações, ou o dinheiro investido em determinado produto bancário, podem ser realizadas em moeda nacional ou estrangeira, neste último a preferência dos clientes recai sobre o dólar americano e o euro.

Neste momento, os bancos Millennium e BAI dispõem de aplicações com as taxas de juros mais altas do mercado. No caso do Millennium, que se destaca por uma campanha publicitária intensa, é o banco que possui a aplicação mais rentável de todas a que a nossa reportagem teve acesso. O “Deposito Diamante”, nome do produto, é a aplicação deste banco com a taxa de juro mais alta (16%).

A adesão a este produto é exclusiva para novos clientes que façam um depósito num montante mínimo de Kz 40.000 ou até ao máximo de Kz 250.000. No entanto, este produto não permite reforço de capital nem renovação e os juros são pagos directamente na conta à ordem do cliente no final de 180 dias.

Segundo o sub-director de comunicação e imagem, Gonçalo Moreira, neste momento o banco Millennium está a promover o serviço “Valor Duplo”, que é um depósito a prazo de 120 dias em que o cliente aplica simultaneamente em dólares e em kwanzas, beneficiando de uma taxa de juro anual de 4,5% em dólares e de 6% em kwanzas (veja exemplo abaixo).

Em finais do ano passado, o BAI vinha promovendo o produto “Renda Campeão”, com uma taxa de juro de 10% para uma aplicação de 90 dias. Mas, com a concorrência a surgir com novos produtos, o banco decidiu inovar e criou a aplicação denominada “Super Campeão”, que é um produto de investimento a curto prazo e em moeda nacional.

O montante mínimo da aplicação é de Kz 50.000 a uma taxa de juro de 15%, pagos na conta à ordem do cliente no final de três meses. Este produto serve para clientes particulares, ou pequenas empresas, residentes em Angola. Uma das grandes vantagens do mesmo é que, para além de ser rentável, ou seja com alta taxa de juro, o cliente tem a possibilidade de ganhar um apartamento T1 no sorteio que o banco realiza trimestralmente.

Clientes insatisfeitos

De acordo com clientes entrevistados pela nossa reportagem, esta corrente de competitividade que começa a despontar a nível dos bancos comerciais é salutar na medida em que beneficia o cidadão e moderniza o próprio sistema bancário angolano. Para Pedro Dilonga, estudante de 27 anos e cliente do Banco Internacional de Crédito (BIC), investir o dinheiro não utilizado para render juros no banco é a melhor maneira de guardá-lo e proteger o dinheiro de um assalto. “Guardar o dinheiro em casa é muito arriscado, até porque a criminalidade na cidade está a atingir níveis alarmantes. A melhor opção é guardá-lo no banco”, disse, acrescentando que, apesar dos bancos oferecem muito serviços para quem quer fazer poupança, ainda há pouca informação.

“Os bancos deveriam apostar mais na publicidade e na orientação dos clientes. O que se passa é que, às vezes, os serviços para poupança existem, mas há pouca informação. Ou seja, no final de contas, os juros que se pagam não é exactamente aquilo que o cliente espera”, reclamou.

Tito Marques Henriques, 25 anos, cliente do BAI também é da mesma opinião. Para ele, os bancos não tem muito interesse que os clientes saibam as taxas de juros reais na hora de aderir a tais serviços. Ele afirmou ter aderido, em finais do ano passado, ao produto “Rendimento Campeão” com a promessa de que a aplicação de 500 mil dólares convertidos em kwanzas lhe renderiam juro trimestral de 10%. Feitos as contas, ele recebe apenas o equivalente a 10 mil dólares, contra as suas expectativas.

“Quando procurei o banco para pedir esclarecimento, fiquei mais confuso com a explicações e o cálculo matemática muito complexo. Sai insatisfeito sem compreender nada”, desabafou.

A nossa reportagem procurou contactar a direcção de comunicação e imagem do BAI para compreender melhor a forma como são calculados as taxas de juro, mas não teve sucesso até ao fecho desta edição.

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