Ismael Botelho

O director do Banco Espírito Santo Angola (BESA), Manuel Reis, anunciou, em Luanda, durante a realização do 3º fórum Económico entre Angola e a Alemanha, novas modalidades de financiamento dos investimentos no nosso país.

De acordo com o gestor bancário, a primeira das modalidades tem a ver com as tradicionais linhas de crédito concendidas pelos bancos comerciais locais, onde os interessados deverão apresentar as suas necessidades financeiras e os seus respectivos projectos de investimento.

A aquisição de equipamentos através da modalidade de leasing, a exportação de capitais do estrangeiro para Angola e a dívida tutelada feita através da emissão de obrigações do tesouro nacional são, na óptica de Manuel Reis, outras modalidades a serem adoptadas, quando se tratar de investir no mercado angolano.

Num outro escalão, ainda segundo a mesma fonte, os potenciais investidores podem ter acesso aos recursos financeiros através de parcerias económicas ou de recurso a outros fundos, ou ainda através de despesas com capitais, provenientes da emissão de acções em bolsas de valores monetárias.

Manuel Reis, que abordou no primeiro fórum angolano--germânico realizado em território nacional o tema “Modalidades de financiamentos em Angola”, disse igualmente que o mercado de créditos na terceira economia da África sub-sahariana e a forma como os bancos podem financiar os seus clientes reclamam por uma mudança urgente.

Ele disse haver no sector pouca concorrência entre as instituições financeiras, elevadas taxas de juros, forte crescimento de crédito, elevação do risco na concepção de empréstimos, sistema financeiro com capacidade de crédito limitado e recursos de curto prazo muito vulneráveis.

“Temos que mudar este quadro, sobretudo devido à falta de uma central de riscos”, advogou.

Soluções de leasing

Leasing, segundo Manuel Reis, são contratos de adesão a produtos ou formas de financiamentos bancários, nas quais os subscritores se transformam em contrapartida dos empréstimos que requerem, sendo que as soluções desta natureza são procuradas sobretudo por “drivers” internos e externos. No que toca aos aspectos internos, acrescentou a fonte, deve haver um aumento significativo da credibilidade, da performance económica nacional e a continuação da estabilidade política junto do Clube de Paris.

Já no caso dos aspectos externos, o que deve acontecer é um aumento na capacidade de crédito, a criação de uma central de riscos, para controlar o fluxo de capital, o desenvolvimento de um mercado de capitais, a criação de um novo regulamento, a implementação de um forte programa de investimentos, baseado num novo modelo de desenvolvimento de infra-estruturas financeiras.

O gestor é igualmente de opinião de que deve haver, ainda assim, um aumento de fundos originários do exterior para assegurar a bancabilidade dos projectos, a sustentabilidade social da banca e o ambiente dos projectos financeiros. “A sustentabilidade financeira dos projectos, a adopção de uma estratégia de mitigação dos riscos, a qualidade de “reporting” das finanças e relatórios aos accionistas é fundamental para a compactação de estruturas contratuais que se pretendem sólidas”, explicou.

Melhorar a taxa de juros

De acordo com dados apresentados pelo prelector, o recurso ao crédito em 2010 é de 33,8 por cento, enquanto no ano passado esta percentagem oscilou entre 24,7 e 27,2 pontos, valores apurados pelos principais bancos, em resultado dos financiamentos aos investimentos efectuados pelo sector privado, principalmente nos do mercado imobiliário. “Lamentos o facto de a participação de parceiros financeiros no capital ser ainda incipiente, mas a cada ano as coisas vão sendo melhores que no passado”, referiu.

Para Manuel Reis é necessário criar “sponsors” com estruturas corporativas e modelos de governança, capacidade financeira e a concretização dos projectos para se melhorar a credibilidade destes diante das instituições bancárias nacionais e estrangeiras.

“A bancarização é uma variável crítica para aceder a novas fontes de financiamento, principalmente as externas, por isso, temos necessidades de peritos para operações com maiores graus de complexidade”, ressaltou.