Principais indicadores financeiros da instituição demonstram vitalidade e forte margem de progressão no mercado da banca comercial

ISAQUE LOURENÇO

O Banco Internacional de Crédito (BIC) apurou no exercício financeiro de 2009 um lucro líquido de 149 milhões de dólares, e reserva nos seus indicadores uma carteira de depósitos de clientes fixada em 3, 5 mil milhões e fundos próprios avaliados em 500 milhões.

Em entrevista ao JE, o presidente do Conselho de Administração do banco, Fernando Teles, disse que o BIC disponibilizou dois mil milhões de dólares em créditos, com destaque para os sectores da agricultura, habitação e imobiliária, sem descurar do financiamento as actividades comerciais.

“Somos um banco que tem concedido crédito a todos os sectores de actividade do país, com destaque para o da habitação, onde somos dos primeiros, embora o sector imobiliário, com cerca de 20 por cento, lidere a nossa carteira de financiamento”, disse.

Fernando Teles garantiu que o banco continua sólido no mercado financeiro nacional, razão pela qual mantêm a expectativa de se tornar líder da banca comercial angolana, e na principal referência de prestação de serviços aos clientes.

Segundo a fonte, é bastante animador o facto de o BIC concentrar mais de 20 por cento da quota de mercado, e ser referência obrigatória para os importadores, sejam nacionais ou estrangeiros, que investem no crescimento do país. Isto, acrescentou, apesar do período menos conseguido em termos de desempenho da economia nacional no seu todo, fruto dos constrangimentos que marcaram o mercado internacional em 2009.

Crédito mal parado

Uma das principais consequências da falta de capacidade de pagamento dos agentes económicos é o surgimento do crédito mal parado nas instituições financeiras. O BIC não foge à regra, embora Fernando Teles admita que no seu banco não existam muitos créditos mal parado, como tal. Assim, ele advoga a necessidade de haver maior pressão sobre os devedores.

Ele esclarece que esta posição visa tão-somente evitar que os processos acabem na justiça, com penhora de bens, aplicação dos juros de mora, e outras medidas que, normalmente, acompanham estas decisões judiciárias.

Contudo, Fernando Teles diz aguardar com bastante expectativa a entrada em operação da Central de Risco de Crédito, entidade que vai ajudar os bancos na definição do perfil de seus devedores, manifestando a situação de risco ou não daqueles que tomam os empréstimos.

Sectores prioritários

O gestor do BIC disse que, na sua visão, o Governo não pode nem deverá deixar de priorizar os sectores dos petróleos e dos diamantes como aqueles que tragam mais-valia para o desempenho da economia, mas também reforça que se continue a aposta na diversificação, através do relançamento de outros sectores, como a indústria e a agricultura, tendo em conta a perspectiva de substituição da importação de bens alimentares, ainda feitos em grande escala.

“Angola tem no seu subsolo muitos recursos, e deverá apostar no petróleo e nos diamantes, mas é fundamental que não se esqueça o sector da agricultura e da pecuária, uma vez que estes criam muitos postos de trabalho”, disse.

BIC comemora cinco de presença no mercado nacional

Quando, em 2005, aceitou o desafio de abandonar o Banco de Fomento Exterior (BFE), actual BFA, do qual era presidente da Comissão Executiva, desde 1992, Fernando Mendes Teles, natural de Arouca, Portugal, sabia que um caminho espinhoso para percorrer o aguardava, pois implantar um novo projecto bancário, o Banco Internacional de Crédito (BIC) no caso, assumia-se como mais uma etapa por vencer, no desempenho deste experimentado trabalhador da banca, onde entrou com apenas 14 anos, pelo antigo Banco de Crédito Comercial e Industrial (BCCI). Hoje, com 58 anos de idade, o bancário tem razões para esfregar as mãos de contente: O BIC dispõe de mais de 135 agências (balcões), 1.200 colaboradores, está presente em todas as províncias, situa-se entre os quatro maiores bancos a operarem no mercado nacional, e já começou com a sua política de internacionalização, através do BIC Portugal, e, em breve, o BIC Brasil. Tal qual na anterior experiência, foi tudo uma questão de acreditar no país e assumir os riscos.

Fernando Teles advoga que neste percurso houve momentos de grandes bonanças, reportando-se ao período 2005/2008, como aqueles em que a instituição acelerou nos seus índices de crescimento e estabilidade financeira, enquanto 2009 foi um ano de contracção e muito aperto, caracterizado pela fuga de divisas do circuito bancário.

“A retoma do preço do petróleo no mercado internacional tem já permitido a entrada de cada vez mais divisas, aliado aos acordos do Governo com instituições financeiras mundiais, como o Banco Mundial (BM) e Fundo Monetário Internacional (FMI) para a concessão de novos empréstimos. O que tem forte reflexo sobre a banca”, afirma.

Fusões à vista

Conhecedor dos processos que regem o funcionamento das instituições bancárias, quer no mercado nacional, quer no mercado internacional, Fernando Teles é uma pessoa autorizada para apresentar prognósticos credíveis acerca do futuro da banca nacional. Nesta perspectiva, o PCA do BIC diz que no futuro haverá fusões entre bancos menores e os maiores, embora o mercado tenha condição para absorver mais novos operadores, o que de resto o bancário também prevê que venha a acontecer.

“As fusões na banca são processos naturais, e visam oferecer um melhor serviço aos clientes. Em Angola, mais tarde ou mais cedo, este processo terá de ocorrer”, disse, acrescentando que ficarão aquelas que apresentarem melhores resultados e serviço ao seu público-alvo.

Leia mais detalhes da notícia e sobre outros assuntos na edição impressa do Jornal de Economia & Finanças desta semana, já em circulação