A Companhia de Bioenergia de Angol (Biocom) prevê facturar este ano mais de 300 milhões de dólares norte-americanos, com a venda de 100 mil toneladas de açúcar (contra 51.500 da safra passada), 20 mil metros cúbicos de etanol (16 mil) e 110 megawatts de energia eléctrica (155 mil).
Esta informação foi avançada pelo director-geral-adjunto da companhia, Luís Bagorro Júnior, à margem da abertura da colheita de 18 mil hectares de cana-de-açúcar, referente ao ano agrícola 2017/2018.
Referiou que esta safra reflecte o esforço empreendido pelo grupo de técnicos e pelas análises feitas em laboratórios, sobre a qualidade e forma como cresceu a variedade de cana-de-açúcar e a sua produtividade, apesar das limitações no acesso às divisas.
Adiantou que estes apertos afectam sobretudo a compra de insumos agrícolas e de peças de reposição dos equipamentos a partir do estrangeiro, bem como o pagamento de salários, que por um lado, acaba por retirar a competitividade do mercado e faz com que o preço do açúcar “Capanda”, produzido pela Biocom, seja equiparado ao importado, resultante dos avultados custos operacionais.
“Não existem divisas direccionadas para a Biocom. A empresa compra-às aos bancos comerciais por orientação do governo”, afirmou, atendo crescentado que além de compras de acessórios e insumos agrícolas, a Biocom tem uma despesa mensal de 1 milhão de dólares apenas em combustíveis para as máquinas.
Em função desta realidade, para contenção de gastos, a empresa tem implementado o Programa de Desenvolvimento Individual (PDI) que tem como objectivo acelerar o desenvolvimento dos trabalhadores nacionais como substitutos da mão-de-obra expatriada e já conta com 91 por cento de sucessores identificados e que brevemente irão assumir as posições antes ocupadas por consultores brasileiros.

Mudança de paradigma
Luís Bagorro Júnior destacou que o Executivo angolano, através do Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI) prevê uma vasta gama de incentivos para os produtos nacionais por forma a que os produtos locais baixem os preços devido aos custos operacionais e possam ser mais competitivos para satisfazer as expectativas do consumidor final.
Acrescentou que todo projecto em fase crescente de atingir maturidade tem um custo operacional alto e é normal que neste momento, o açúcar “Capanda” não seja tão competitivo, quando comparado ao importado.
Mas, ainda assim, acredita que este quadro irá mudar, quando os projectos da empresa atingirem a sua maturidade prevista para o ano de 2022.
A nível de consumo do açúcar de “Capanda”, Luís Bagorro Júnior, destacou os supermercados, e as grandes superfícies comerciais como os principais clientes do Capanda, por sua vez as fábricas de bebida e perfumarias são os maiores compradores do etanol.
A Biocom deu emprego directo a mais dois mil trabalhadores nacionais e 137 expatriados.
Quanto aos expatriados, o números poderão reduzir para 79, em 2022.
O gestor revelou que os produtos da Biocom não são exportados por entender que o país ainda é deficitário na produção de açúcar e seus derivados.
“A meta é reduzir cada vez mais as importações com a produção local”, augura.

Ganhos assinaláveis
O director provincial da Agricultura e Florestas em Malanje, Carlos Chipoia, disse que a Biocom é um valor acrescentado para a economia do país e que vem contribuir na redução da importação, com realce para o açúcar.
Para ele, a província de Malanje está bem servida. Rvelou que há dois agentes grossistas que adquirem o açúcar na Biocom para atender o mercado.
“A produção deste ano da Biocom de uma forma global vai alcançar unicamente 40 por cento da necessidade do mercado angolano, mas de certa forma contribui para a redução da importação deste produto”, destaca Carlos Chipoia.
Por outro lado, afirmou haver contactos entre a Biocom e os agricultores locais para que possam também produzir a cana-de-açúcar de forma extensiva.

“Para a empresa, o sector familiar ainda mostra-se muito oneroso para aquilo que é o investimento em assistência técnica e insumos agrícolas, mas ainda assim, as negociações estão na mesa para uma ligação estreita entre a Biocom e as médias, pequenas empresas com o objectivo de produzirem cana-de- açúcar para desta forma poder potenciar o sector e torná-lo mais competitivo ao nível dos mercados”, afirma.

Instalada no município de Cacuso, na província de Malanje, a Biocom está implantada numa área de 81.201 hectares, dos quais 11.055 estão reservadas para a preservação da fauna e flora, 70.102 destinados à produção agrícola.
Até 2022, data em que o projecto preconiza atingir a sua maturidade, a empresa vai produzir 256 mil toneladas de açúcar, 33 mil metros cúbicos de etanol e 235 mil megawatts de energia eléctrica.