FRANCISCO INÁCIO

O governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Abraão Gourgel, garantiu que o Governo está a actuar a nível da política monetária no sentido de monitorar a liquidez e mantê-la a níveis aceitáveis para a actual conjuntura.

Falando durante um seminário sobre as melhores práticas de conservação e manuseamento da moeda nacional, realizado a semana passada, em Luanda, o governador do BNA disse que a desvalorização da moeda nacional é injustificável.

“Não há razões para acreditar neste tipo de especulação, porque o nosso sistema de taxa de câmbio é flutuante. Há sinais de melhoria a nível das receitas fiscais. Portanto, a situação caminha em sentido inverso do excesso de expectativa ”, argumentou.

Além disso, o BNA está a trabalhar para a modernização do sistema de processamento das notas e garantir a eficiência na recolha e destribuição das notas impróprias para a circulação.

“Julgamos ser necessário utilizar meios cada vez mais modernos para informar o público sobre as formas de manuseamento correcto das notas, enquanto símbolo da nossa soberania nacional”, referiu.

O governador do BNA apelou aos representantes dos bancos comerciais no sentido de incentivarem os agentes económicos, e toda população, a aderirem ao processo de modernização dos sistemas de pagamentos, utilizando com maior frequência os cartões multicaixa como meio alternativo ao pagamento em cash (dinheiro).

Segundo o governador, a utilização de multicaixa diminui as despesas do Banco Central com a manutenção das notas mal conservadas, processo que tem se mostrado bastante oneroso nos últimos anos.

No primeiro semestre, a moeda nacional depreciou-se 3,51 por cento no mercado formal, enquanto que no mercado informal a depreciação acumulada foi de 15,33 por cento. As cotações médias de compra e venda do dólar norte-americano passaram de 75,169 Kwanzas em Dezembro do ano passado para 77,806 em Julho deste ano.

Por sua vez, o administrador do BNA, Manuel Piedade, referiu que a evolução do próprio mercado irá reverter o quadro. Ele acredita que esse excesso de especulação foi criada pela actual conjuntura do mercado. “É o mercado que dita o valor da moeda nacional face às outras, por isso a actual desvalorização pode ser revertida pelo próprio mercado. A valorização da nossa moeda não pode ser determinada de forma administrativa”, disse.

Venda de divisas

No primeiro semestre deste ano, a venda de divisas aumentou comparativamente ao mesmo período do ano passado. O Banco Nacional (BNA) vendeu 5.372,33 milhões de dólares, o que corresponde a um incremento de 1.530,57 milhões em relação ao período homólogo de 2008. Este aumento na venda de divisas surge depois de uma fase de contenção registada em Maio devido à queda significativa nas receitas oriundas do sector petrolífero em consequência da directa da crise financeira internacional.

Os dados referentes aos últimos três meses mostram uma tendência de melhoria na venda de divisas a nível dos bancos comerciais, embora ainda com algumas restrições. Mas a procura continua superior à oferta, de forma que paira um pressentimento de uma possível e severa depreciação da moeda nacional. Este facto pode ser comprovado pelo aumento de depósitos em moeda estrangeira, sobretudo o dólar norte-americano, a nível dos bancos comerciais.

Os depósitos à ordem em moeda estrangeira cresceram mais de 17 por cento, enquanto que os depósitos em moeda nacional registaram apenas 8,46 por cento de crescimento. Os meios de pagamento em moeda estrangeira aumentaram 21 por cento, contra os 9,36 por cento dos pagamentos em moeda nacional. Em consequência do clima do ambiente de incertezas, os depósitos à ordem subiram 13,59 por cento, enquanto que os depósitos a prazo tiveram uma contracção na ordem dos 8,95 por cento.

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