Pedro Peterson

O Banco de Poupança e Crédito (BPC), a maior instituição bancária comercial angolana, financiou, no primeiro trimestre deste ano, projectos orçados em USD 200 milhões.

Segundo anunciou ao Jornal de Economia & Finanças o director da Direcção de Pequenas e Médias Empresas (DPM), Óscar Rodrigues,

70% desse montante foi atribuído aos sectores da agricultura, indústria e construção civil.

A fonte revelou ainda que o banco concedeu, em 2008, créditos a empresas contabilizados em USD 2.287.000.000 (dois mil 287 milhões), sendo que USD mil 316 milhões contemplaram pequenas e médias empresas (PME).

A nível de empresas, o BPC tem cerca de 100 mil clientes, entre privados e institucionais. Controla 8 balcões da Rede Azul e dois Centros de Empresas, com perspectivas de potenciar todo o país com unidades especiais de atendimento às empresas. Actualmente, o Serviço Rede Azul está implantado nas províncias de Luanda, Benguela (sede e no município do Lobito) e Huíla (Lubango).

Prioridade para as PME

Óscar Rodrigues anunciou que a instituição irá continuar este ano com a abertura de mais Centros de Empresas e vai empenhar-se igualmente no lançamento de mais produtos para melhorar o seu atendimento.

“Para fazermos face às dificuldades que as pequenas e médias empresas ainda enfrentam, iremos dar ênfase às políticas económicas do país no sentido de incentivarmos a indústria, agricultura, pesca e a pecuária, numa acção concertada para respondermos com as exigências do próprio mercado e das orientações do Governo de Angola, em especial do Presidente da República”, disse.

Ele acrescentou também que o BPC vai continuar a trabalhar com os produtos que o Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) tem disponibilizado à sua instituição.

Principais metas

De acordo com o gestor bancário, duas linhas de acção vão nortear a actividade do BPC, a partir deste ano. A primeira tem a ver com o incentivo da diversificação da economia, com ênfase para os segmentos da pecuária, agricultura, indústria transformadora, construção civil e habitação.

A segunda está direccionada para o combate à pobreza, o que passa pela concessão de créditos às Pequenas e Médias Empresas (PME´s), que são importantes fontes geradoras de empregos, que, por seu turno, são um meio de sustento de milhares de famílias angolanas.

Óscar Rodrigues disse também ser preocupação da Direcção de Pequenas e Médias Empresas, o acompanhamento e aconselhamento dos agentes económicos desse segmento.

“As pequenas empresas devem ter a sua contabilidade tradicional organizada para permitir que os empresários ou sócios - gerentes tenham uma noção real dos custos, despesas, rentabilidade e a capacidade de endividamento”, explicou.

Crise financeira e económica

De acordo com Óscar Rodrigues, a crise mundial tem sido para o BPC apenas um sinal para ser mais cauteloso ao conceder o crédito, com a formalização de garantias. Precisou que o banco tem aconselhado os clientes e tem feito um acompanhamento atencioso.

Acrescentou que o BPC tem criado facilidades na concessão de créditos e aliviado o processo de apresentação de garantias. Face às dificuldades que o empresário angolano tem na formalização das hipotecas, o BPC tem procurado outros mecanismos para substituir as mesmas, que são as procurações irrevogáveis.

“Com as dificuldades que há em se conceder o crédito, mesmo a nível mundial, no que se refere às hipotecas imobiliárias, hoje os bancos estão cada vez mais preocupados em formalizarem as suas garantias, quando se trata de hipotecas”.

Por este facto, o BPC tem vindo a trabalhar no sentido de fazer face ao reforço de garantias com fiança, com aval e penhora. “Temos feito uma análise muito séria e crítica da nossa realidade e levamos para a concessão de crédito as nossas empresas”, concluiu.

Balanço de 2008

A primeira medida que o banco tomou o ano passado foi melhorar as suas unidades e serviços, com vista à sua adequação às novas exigências do mercado, segundo Óscar Rodrigues. Estas medidas, acrescentou a fonte, passaram pela criação de Centros de Empresas e a melhoria da Rede Azul.

A fonte explicou ainda que o BPC continua a liderar o processo de concessão de crédito. “Na nossa condição de sermos o maior banco comercial do país, continuamos a trabalhar no sentido de incentivar a concessão do crédito às empresas”, assegurou.

A título de balanço, sublinhou que o ano de 2008 “foi bastante positivo”, na medida em que o BPC esteve presente em todos os sectores da actividade, quer nas empresas públicas, quer nas privadas.