O Instituto Nacional de Estatística (INE) procedeu, na passada quarta-feira, em Luanda, ao lançamento do recenseamento agro-pecuário e pescas (RAPP 2018-2019), numa altura em que a recolha de dados inicia apenas em Fevereiro.
Durante a apresentação do projecto, o director-geral do INE, Camilo Ceita, revelou que o objectivo é o de ajudar o Executivo na definição de políticas para estes importantes sectores de actividade socioeconómica.
Destacou que as acções técnicas prévias ao arranque do Censo estão concluídas, pelo que tão logo seja aprovado o pacote legal, as actividades operacionais deverão iniciar.

Abrangência
O Rapp terá abrangência nacional, em alinhamento com as recomendações da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura  (FAO) e deve fazer um levantamento das actividades agrícolas, pecuárias e aquícolas, classificando-as em explorações familiares, empresariais ou grandes explorações.
Terá ainda como foco a recolha de dados como, por exemplo, o número de unidades agro-pecuárias, distribuição espacial, tipo de propriedade, uso e aproveitamento da terra, posse e uso de meios de produção e tecnologia empregue.

O levantamento ou recolha, vai permitir ao Estado obter dados que possibilitem conhecer, com profundidade, as estatísticas estruturais ou de base do sector da Agricultura e das Pescas e, desse modo, programar de forma mais eficiente o desenvolvimento social e económico do país.
De acordo com o responsável, o recenseamento que numa primeira fase estava previsto para 2016, foi alterado por questões financeiras, num momento em que o país atravessava a crise financeira

Investimento
Para o êxito do projecto, o Banco Mundial disponibilizou cerca de 42 milhões milhões de dólares norte-americanos para financiar o Rapp.
Do investimento total, cerca de 12 milhões de dólares vão servir para a realização de dois inquéritos por amostragem dos sectores da agricultura e pescas, depois do recenseamento geral, cujos resultados serão divulgados no último trimestre de 2019.
A consulta pública com a sociedade civil, no âmbito do recenseamento, foi dividida em quatro regiões, sendo Luanda (Cabinda, Bengo Uíge, Zaire, Malanje e Cuanza Norte), Huambo (Benguela, Bié e Cuanza Sul), Huíla (Namibe, Cunene) e Lunda Sul (Moxico, Cuando Cubango e Lunda Norte).

Apoio
Com um financiamento do Banco Mundial, estão agora criadas as condições para a actividades de recolha e a melhoria de alguns indicadores  acroeconómicos.
Depois de alterado o programa e o plano de trabalho para o Censo agro-pecuário 2017-2018, o recenseamento tem uma particularidade, que é de cumprir obrigatoriamente a campanha agrícola, onde o país tem apenas duas etapas, daí o facto de ser realizado até Julho do próximo ano.
O projecto vai permitir ao Executivo criar políticas públicas e privadas, e lançar as bases para as metas de desenvolvimento sustentável.
O director-geral do INE disse que o Censo agro-pecuário e das pescas, dentro daquilo que é o programa de estatística internacional, deve ser realizado três ou quatro anos depois do Censo Geral da População e Habitação.
Camilo Ceita esclareceu que quanto mais tempo passar entre os dois Censos, maiores serão as dificuldades para reencontrar os agregados identificados.
Dados do Recenseamento Geral da População e Habitação realizado em 2014, indicam que 46 por cento dos agregados familiares praticam actividade agrícola,de um total de mais de 28 milhões de habitantes.

ENERGIA
Projecto de electrificação prevê 7 mil ligações domiciliárias no Cuanza Norte

Sete mil novas ligações domiciliares de energia eléctrica serão efectuadas em diversas localidades dos municípios de Cambambe, Golungo Alto, Banga, Quiculungo, Bolongongo, Cazengo e Ngonguembo, província do Cuanza Norte, no âmbito da segunda fase do projecto de electrificação da região, que inicia em princípio de 2019.
A informação foi prestada pelo coordenador de projectos da consultora Holísticos, empresa encarregue de promover consultas públicas sobre o impacto ambiental da empreitada, Pedro Sá, em encontros mantidos com as populações dos municípios de Cambambe e Banga, realizados naquelas circunscrições.
Segundo a fonte, o projecto contempla a construção de uma subestação de 60 Kilovolts (kv), no município do Golungo Alto, uma linha de transmissão de igual capacidade de média tensão com 54 quilómetros de extensão.

Abarca ainda a instalação de 180 quilómetros de rede de baixa tensão para a iluminação pública e sete mil ligações domiciliares nas localidades a serem electrificadas.

O projecto vai beneficiar as localidades situadas ao longo do traçado Quiculungo/Terreiro, Pambos do Sonhe (Samba Caju)/ Banga, Golungo-Alto/ Cambambe (Ngonguembo), Golungo- Alto/ Ndalatando e Dondo (Cuanza Norte)/Catulungungo (Cuanza Sul).
Pedro Sá disse que a empreitada, cujos custos não precisou, será executada pela empresa espanhola “ELECNOR”, num prazo de 20 meses e prevê garantir 178 empregos.
Sublinhou que o projecto visa aumentar a oferta do fornecimento de energia eléctrica, tendo em conta o crescimento da demanda energética das populações, bem como contribuir para o desenvolvimento social, económico e industrial das localidades beneficiárias.
Assistiram aos encontros autoridades administrativas e tradicionais, bem como populares das referidas circunscrições.