A cobrança mensal por estimativa da água nas centralidades do Kilamba, Sequele, KK 5.000 e Vila pacífica, tem estado a provocar inúmeros prejuízos económicos aos moradores daquelas localidades, que chegam a pagar por vezes acima de 10 mil kwanzas/mês.
Palmira Maria, mora na centralidade do Kilamba visivelmente insatisfeita com uma factura na mão em tom alto reclama junto dos presentes; “Vivemos três pessoas, todos saímos de manhã e só regressamos a noite e a factura de cobrança é de 15 mil kwanzas, isto é impossível, e
nem temos empregada”, disse.
Na mesma condição está António Francisco que enfurecido reclama ao balconista no Kilamba “Esta história de cobrar por estimativa está a prejudicar o cidadão. Não é possível consumir 881 metros cúbicos por mês”, frisou.
O volume de reclamações é tal, que os moradores recorreram a Associação Angolana dos Direitos do Consumidor (AADIC), para junto da representação da Epal, nas centralidades encontrar soluções para o problema. Contudo, ao que o JE apurou os contactos em nada resultaram.
Face ao fracasso, (AADIC) intentou uma acção judicial no Tribunal Provincial de Luanda contra a Empresa Pública de Águas (EPAL), onde faz constar que o alto valor da taxa de religação e a elevada tarifa de cobrança estão na base do processo.
Constam também a descontinuidade no fornecimento de água potável, a legitimidade da cobrança por estimativa, a unidade de consumo de contadores, legalidade do aluguer dos contadores e da estrutura de custo da quota de serviço referente à taxa de saneamento.
Recentemente, o vice-presidente da associação, Lourenço Texe Armando, explicou que pretendem com a acção um esclarecimento daquilo que denominou de “coisas obscuras” inseridas na factura da Epal.
Segundo o vice-presidente da agremiação, a empresa pública foi processada “porque todas as tentativas de resolução extra-judicial não resultaram e que são muitas as reclamações que recebem desde 2013 relacionadas com o assunto “, frisou.
A massiva campanha de cortes que tem sido feita pela Epal, é reprovada pelo representante da associação, advertindo que a empresa deve tomar novas medidas sem prejudicar as partes.
A ADIC é uma instituição de direito privado sem fins lucrativos, com personalidade jurídica, vocacionada para a defesa dos legítimos interesses dos consumidores. A Associação Angolana dos Direitos do Consumidor (AADIC) foi criada em 2010 e adquiriu personalidade jurídica a 10 de Janeiro de 2013.

Reclamações

No site das reclamações da Epal, podem ler-se várias solicitações de prestação de serviço, assim como notas de reprovação à prestação dos serviços da empresa em causa, face aos métodos de cobrança adoptados.
O presidente do Conselho de Administração da Epal, Leonildo Ceita, disse recentemente aos órgãos de informação, que a sua instituição vai corrigir esta medida para evitar os constrangimentos nas centralidades.
Aliás, todos os administradores consideraram quarta-feira“negativo” o serviço da Epal. Reclama que, a empresa montou torneiras e não jorra àgua em muitas áreas.
Inclusivel, há cidadãos a percorrer longas distância para obterem o liquido. E exigem mais trabalho e descentralização para as administrações.