Os negócios de estét ica , no caso dos salões de beleza, têm procurado formas para atrair mais clientes e aumentar as receitas face ao actual cenário económico.
Dada a redução na afluência dos cl ientes, muitos estabelecimentos viram-se forçados a fechar as portas.
Na ronda feita pelo JE, constactou-se que o ramo da beleza emprega, maioritariamente, jovens nacionais, os quais enfrentam a concorrência de cidadãos chineses e congoleses democráticos.

Diversificar a oferta
A gerente do salão de cabelereiro Carlotas, Ema Assis, localizado na urbanização Nova Vida, em Luanda, e que está no mercado há mais de sete anos, diz que para manter o estabelecimento precisa ter produtos suficientes em stock e o pessoal a trabalhar, neste momento em número de seis, para garantir a satisfação dos clientes.
“Começamos a perder clientes a partir de Janeiro deste ano, porque muitos optaram por procurar salões mais baratos” disse, tendo acrescentado
que boa parte deles procura por profissionais da área, mas que executam esses serviços nas suas próprias casas, com menos custo, caso dos que cuidam das unhas, cabelo e maquilhagem.
Lamentou que semanalmente factura cerca de 60 a 70 mil kwanzas, contra os 90 a 130 mil anteriores.
Por isso, assegura que para ter um salão de beleza e cuidar do bem estar de outras pessoas é preciso ter conhecimento na área.
“É preocupante porque desde que o rendimento do salão diminuiu fui obrigada a dispensar alguns funcionários e mudar o método de trabalho”, queixou-se.
Com o início da crise, Ema Assis diz que muitos cidadãos sentem a necessidade de abrir o próprio empreendimento, financiando-os na maioria das vezes com capital resultante da venda de algum bem material próprio.
clarificou também que, com os juros altos, os bancos se tornaram a última opção para se conseguir um investimento.
Por isso, quem não tem dinheiro guardado é bom ter uma alternativa mais segura, sem risco de endividamento.
Por outro lado, sabendo dos riscos em época de crise por actuar no ramo da beleza há 25 anos, a cabelereira e esteticista Carla da Silva, que tem um estabelecimento na zona do Talatona, conta que a crise e o frio são agravantes para diminuir o movimento aos salões.
“Antes atendíamos cinco a dez pessoas/dia e agora recebemos três, porque as massagens redutoras de medida caíram muito. Tive que pôr quase tudo em promoção para chamar atenção dos clientes”, informa.
Carla da Silva frisou ainda que manter os preços foi uma estratégia bem pensada, pois quando tentou alterá-los sentiu uma diminuição significativa de clientes. Disse que em 2014 e 2015, o número de atendimentos realizados no mês de Maio de um, comparativamente ao de outro, caiu de 100 para 75 por semana.
“Por incrível que pareça, quando me vi forçada a alterar os preços devido à subida dos produtos no mercado, quase perdia os meus clientes.
Por isso, optei por manter alguns preços para não perdê-los”, disse.

Mudança de atitudes
Para a gestora, muitas mulheres continuam a efectuar os tratamentos de beleza, mas com menor frequência. As clientes que cuidavam do cabelo, unhas das mãos e pés e que realizavam uma hidratação capilar, actualmente, preferem fazer apenas um dos procedimentos.
Já Ruth Sampaio, no sector de beleza há 38 anos, é proprietária de um salão. Evoca as mesma razões das anteriores entrevistadas. Lamenta o facto de a crise as ter forçado à mudança de paradigma. Pois, disse ela, que o negócio de beleza também sofre devido ao momento menos bom sob ponto de vista de recursos económicos Mas compreende que é importante manter-se firme.
Apesar da redução dos rendimentos, disse, o negócio continua vivo porquanto entende que é imperioso continuar a cuidar da beleza para aumento da auto-estima, assim como sentir-se bem e vaidosa.
“Ofereço serviços e produtos diferenciados. Mantenho a minha equipa de profissionais capacitada e actualizada e que percebe às tendências do mercado”, assumiu.
Tânia Sanda e Olga Saurisão duas frequentadoras que reduziram as idas aos salões.