Os proprietários das cantinas do bairro Calemba 2, em Luanda, manifestaram o seu descontentamento pela actuação da fiscalização da administração do Talatona, no que toca a aplicação de multas e excesso de cobrança de valores nas visitas de inspecção. Segundo os proprietários dos estabelecimentos comerciais, que não quiseram revelar as suas identidades por temerem represálias, na última visita de inspecção efectuada a semana finda àquela zona, foram aplicadas multas a todos os comerciantes, atitude considerada absurda, pelo facto de não possuirem livro de reclamações e contrato de lixo, o que deixou os comerciantes bastante insatisfeitos. Paulo Matamba, gerente de um dos estabelecimentos comerciais do Calemba 2, disse ao JE que os fiscais não quiseram saber se têm ou não documentação completa, só se interessaram em passar as notificações para o pagamento de uma multa no valor de 55 mil kwanzas a todos os operadores daquela zona. Segundo apurou o JE, a celebração do contrato de lixo está se efectuar com uma empresa privada de uma senhora anónima, que tem escritório no Calemba 2. No acto do contrato o comerciante paga 1.000 kwanzas e um valor mensal de 6 mil, sem direito a um recipiente para depósito e recolha de lixo. Na Urbanização Ondjo Yetu, os comerciantes queixam-se, além do pagamento da multa de 55 mil kwanzas por falta de contrato de lixo com a referida empresa, queixam-se também do desembolso de 17.500 kwanzas para a deslocação dos agentes, 8 mil para obtenção da declaração do comercio precário (com periodicidade trimestral) e 2.500 para o formulário. Aliás, alegam que as visitas parecem ser direccionadas, pois, são os mesmos estabelecimentos que são inspeccionados. Os restantes, na sua maioria geridos por estrangeiros não são visitados. Afirmam que, tem se verificado, todas as vezes que passam os agentes de fiscalização ou inspecção do comércio, os estabelecimentos ficam encerrados, dando a entender que são avisados antes das operações.