O presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Francisco de Lemos, desmentiu em conferência de imprensa, a notícia que dava conta de uma possível falência da maior empresa estatal do país divulgada há dias pelo jornal português Expresso.


Na referida conferência, Francisco de Lemos declarou peremptoriamente que a Sonangol “é uma empresa estável, operacionalmente robusta que é extensível ao segmento comercial e financeiro”, sendo que esses dois últimos sectores representam apenas 8 por cento do seu volume de negócios. Por isso, a sua actividade principal continua a ser o segmento de petróleo e gás. Este facto vem responder às críticas relativas aos investimentos que a Sonangol tem estado a realizar noutros segmentos de mercado.

De acordo com o gestor, ao contrário do que afirmam os “boatos”, a estabilidade e robustez da Sonangol fundamentam-se e podem ser confirmadas nos seguintes dados: “Até 30 de Junho, o endividamento geral da empresa situou-se nos 13.756 milhões de dólares. A Sonangol possui neste momento um património líquido superior a 21.988 milhões de dólares, o que dá uma alavancagem financeira suficientemente estável de 63 por cento”, conferiu.

Mais adiante, Francisco de Lemos argumentou que qualquer estado de falência ou de bancarrota teria que implicar num só ano que a Sonangol registasse prejuízo de 22 mil milhões de dólares. “O que é virtualmente impossível acontecer nos próximos cinco anos.
Adicionalmente, a empresa possui capital circulante suficiente para satisfazer as suas obrigações imediatas ou de curto prazo, como prazo disso é o facto de que mesmo com o preço do barril de petróleo baixo a Sonangol ainda não recorreu ao crédito externo”, sublinhou.

Por falar em crédito, Francisco de Lemos referiu que na sequência dos rumores divulgados na semana passada o conselho de administração da empresa que dirige manteve um encontro com 22 representantes dos principais bancos credores com o objectivo de esclarecer a situação financeira da empresa, o que acabou por não haver questionamento porque três meses antes já haviam recebido
relatórios a esse respeito.

Produção
Em relação à produção nacional, o presidente do Conselho de Administração da Sonangol afirmou que no primeiro semestre deste ano as cifras situaram-se em 12 por cento acima do produzido no período homólogo do ano passado, ou seja, mais 100 mil barris de petróleo por dia. O preço de referência programado para o ano de 2015 é de 40 dólares por barril. O valor actual no mercado internacional ronda os 63 dólares por barril. Neste momento, a produção total é de 1,8 milhões de barris por dia, sendo que a quota-parte reservada à Sonangol é de 600 mil barris.

“Em função da estabilidade que se verifica na empresa e embora a Sonangol continue a monitorar regularmente, não esperamos um agravamento da conjuntura internacional durante este segundo semestre”, disse.

Em consequência disso, explicou, a Sonangol concentrará os seus esforços na conclusão do processo de licitação de concessões petrolíferas na plataforma terrestre, com a publicação, em breve, dos termos de referência, processo para qual se encontram pré-qualificadas 62 empresas privadas angolanas.

À semelhança do que fazem todas outras companhias petrolíferas, Francisco de Lemos disse que a Sonangol continuará a desenvolver iniciativas que permitam ajustar os preços às suas actividades à conjuntura actual.

Operações no estrangeiro
Questionado sobre o encerramento de escritórios no estrangeiro em consequência da suposta falência, Francisco de Lemos respondeu afirmando que as operações internacionais decorrem com normalidade através das subsidiárias no Reino Unido, Estados Unidos e Singapura, que em conjunto garantem a manutenção da quota de mercado nas praças internacionais onde a concorrência é feroz, sobretudo nos da China e Índia. A Sonangol também mantém as suas operações petrolíferas no Brasil através da Sonangol hidrocarbonetos Brasil, assim como uma parceria na Venezuela.

“Continuamos a desenvolver as nossas actividades que culminarão com investimento na República de Cuba no segundo trimestre do próximo ano. Mantemos o programa de investimentos em todos os segmentos que programamos para os próximos tempos e que estão avaliados em cerca de 6. 700 milhões de dólares. As prioridades destes investimentos concentram-se na exploração e produção de petróleo bruto (58 por cento), além de refinação, distribuição e logística.

O gestor fez saber ainda que os investimentos continuarão a ser feitos nas refinarias do Lobito, que detêm a 100 por cento e do Soyo onde a Sonangol possui uma participação de 20 por cento e pretende negociar com o principal parceiro no sentido de garantir a distribuição e comercialização dos produtos refinados no Soyo.

Finalmente, o gestor máximo da Sonangol garantiu que em função da estabilidade da empresa neste momento não se espera nenhum agravamento conjuntural no próximo semestre. “Por isso, vamos concentrar os nossos esforços na conclusão do processo de novas licitações de concessões petrolíferas com publicação para breve dos termos de referência para a qual já se encontram pré-qualificadas 62 empresas” disse.