O Governo apresentou, ontem, em Luanda, a estratégia para melhorar as condições sociais, a segurança alimentar das populações e desenvolver a economia no meio rural. O ministro da Economia, Manuel Júnior, apresentou, no Centro de Convenções de Talatona, na Conferência Nacional sobre Desenvolvimento Rural, os desafios para munir o campo de condições atractivas.

A estratégia do Governo está no Programa de Desenvolvimento Rural e de Combate à Pobreza”, aprovado em 2007, cujo objectivo é promover um combate sustentado à fome e à pobreza extrema, garantindo o desenvolvimento integrado das comunidades.

Manuel Júnior anunciou a requalificação e reorganização das aldeias e povoações, a execução dos planos integrados de expansão urbana e infra-estrutural de Luanda e Bengo e a expansão do crédito agrícola às pequenas explorações.

O ministro da Economia assumiu estes projectos como “enormes desafios” do Governo para o desenvolvimento rural nos próximos anos.

Assim, o Governo vai criar um corredor de desenvolvimento Luanda/Malanje e pólos industriais no Soyo (Zaire), Catumbela (Benguela), Caála (Huambo), Tômbua (Namibe) e Matala (Huíla). Os estudos necessários para o desenvolvimento destes projectos, disse Manuel Nunes Júnior, arrancam nos próximos tempos.

O ministro da Economia anunciou, igualmente, a criação de dois pólos de equilíbrio, um para as províncias das Lundas (Norte e Sul), Moxico e Kuando-Kubango, e outro para Bié, Uíje e Cunene. Os estudos para criação destes pólos começam em breve.

Movimento vitorioso face ao grande desafio

O ministro Manuel Júnior afirmou que muitas tarefas para serem atingidos os objectivos do Governo já estão em curso, mas em função da dimensão do desafio, o Executivo reconhece que não é capaz de executar sozinho todos os programas. Por isso, defende a organização de um “movimento nacional vitorioso” para solucionar os problemas actuais do desenvolvimento rural do país.

Este movimento, disse Manuel Júnior, vai mobilizar esforços de empresários públicos e privados, gestores de instituições bancárias e seguradoras, professores universitários, investigadores, estudantes, jornalistas, organizações não-governamentais e membros do Governo.

Manuel Júnior reconheceu que parte significativa da população nacional vive nas zonas rurais, mas a população que vive no campo é aquela que apresenta os maiores índices de pobreza no país. O ministro da Economia disse que no campo estão os recursos naturais mais preciosos, a maior parte deles ainda não explorados e que podem contribuir para o desenvolvimento do país.

Melhores condições sociais atraem gente para o campo

O incentivo à fixação das populações no meio rural e a melhoria das condições produtivas da agricultura passam pela promoção de acções que tornem atractivas as condições sociais, defendeu o ministro da Economia. Estas condições, frisou, têm de ser enquadrados numa estratégia consistente do desenvolvimento rural.

Manuel Júnior considerou que o restabelecimento de uma estrutura funcional de distribuição da população passa pelo desenvolvimento de uma rede suplementar de grandes, médios e pequenos centros urbanos e acrescentou que a estrutura de distribuição da população no campo passa, igualmente, pelo desenvolvimento das aldeias e assentamentos rurais.

A construção de uma sociedade justa é possível - sublinhou, a terminar, o ministro - se as acções do Estado forem orientadas para o meio rural e para a população do campo, reduzindo a sobrelotação das cidades.