O Grupo Ramos Ferreira, que há mais de 10 anos actua em Angola, no sector da construção, telecomunicações, água e saneamento, elevadores, sistemas eléctricos, climatização e segurança, apela à transparência e lisura em concursos públicos de adjudicação de obras em Angola. Em entrevista ao Jornal de Economia & Finanças, a administradora geral do Grupo, Carla Ferreira, aplaudiu a abertura manifestada pelo Presidente da República, João Lourenço, no combate ao nepotismo e transparência nos negócios em Angola. “Na verdade, como angolana, estou esperançada de uma nova política do Presidente, que visa apostar seriamente na luta contra a corrupção e compadrios”, disse Carla Ferreira, fazendo alusão à forma como têm sido ultimamente conduzidos os concursos para a cedência de empreitadas em Angola. “Às vezes, ouve-se falar de uma empresa tal fundamentalmente no aeroporto a fazer obras e vais para a internet não encontras nenhuma informação sobre ela, que é completamente uma aberração, já que uma empresa credível e transparente deve-se saber o seu core business, os donos e os contratos que estabeleceu”, desabafou Carla Ferreira. O grupo tem um volume de obras dos contratos estabelecidos à volta dos 35 milhões de dólares. Dentre o conjunto de empreitadas em Angola, destaca-se a construção e instalações de serviços eléctricos e de climatização, projectos e consultorias a hospitais, clínicas, supermercados, condomínios, edifícios comerciais e de habitações e industriais em Luanda e Lubango (Huíla). Carla Ferreira acredita que Angola vive outro momento da sua história, pelo que o sector da construção estará mais animado e apetecível para se investir, apesar das dificuldades de acesso às divisas. Afirmou que têm estado a dialogar com os bancos. Desde 2014, o grupo contraiu uma dívida avultada e caso não se desbloqueie a situação, não terá mais capacidade de prosseguir com os investimentos. A também administradora geral salientou que aguarda com entusiasmo a visita prometida pelo ministro da Construção e Obras Públicas, Manuel Tavares de Almeida, às suas instalações em Luanda.
“Queremos transmitir ao senhor ministro a forma como estamos organizados e preparados para os grandes desafios de Angola, sobretudo na área da construção. Temos uma equipa com bastante experiência e capaz de apresentar obras ao padrão europeu”, afirmou Carla Ferreira, para quem deve haver facilidades às empresas nacionais.Por outro lado, ela não entende as razões do porquê se recorre sempre a empresas estrangeiras para fazer obras ou fornecer produtos, quando já há no mercado empresas nacionais com capacidade de as fazer. O grupo prevê implementar um projecto ligado à agro-indústria no Cuanza Sul. Há um outro investimento para a produção de esteiras metálicas avaliado em 2 milhões de dólares a ser implementado em duas fases. O plano estratégico é a aposta contínua na formação a angolanos com envio constante de equipas ao exterior. Além de Angola, actuam em Portugal, Moçambique, S.Tomé e Príncipe, Argélia, Marrocos, Argentina, Emirados Árabes Unidos e Dinamarca.