fectação de divisas ao sector produtivo nacional que está a ser preparado pelo Ministério da Economia e Planeamento pode ser uma das vias para se incentivar o sector industrial no país, uma vez que haverá maior controlo de liquidez no circuito económico, impedindo assim
a fuga dos multiplicadores.
Segundo especialistas, este modelo pode ser vantajoso se forem seguidos todos os pressupostos que estão no documento, ao contrário
“não terá pernas para andar”.
O docente universitário Josiel de Matos disse que numa altura em que o país atravessa uma crise cambial é necessário que se traçem políticas para a saída da crise, por isso, louvo a inicitiva do Ministério da Economia e Planeamento ao pensar nisso.
Segundo o docente que lecciona a cadeira de política económica do Instituto Superior de Ciências Sociais e Relações Internacionais, este programa já deveria ser implementado há alguns anos e nesta fase “estaríamos somente a
ver os seus efeitos no mercado”.
Mas para que este programa surta os efeitos desejados, segundo o docente, “é necessário que haja um controlo cerrado na alocação de divisas, ou seja, os empresários devem definir prioridade nos seus investimentos para se tirar vantagens com o exterior”, disse.
Para Josiel de Matos, o Banco Nacional de Angola (BNA), como o grande fazedor da política monetária nacional, deve ser mais intervencionista neste modelo, pois o sector produtivo só poderá avançar se houver seriedade, ao contrário, Angola vai caminhar sempre no ciclo vicioso como acontece actualmente.
Já o docente universitário da cadeira de política monetária da Universidade Óscar Ribas, Jesus Paulo, assegura que este modelo pode acelerar o processo de diversificação das exportações e substituição das importações, que é condição “sine qua non” para o desenvolvimento económico de uma sociedade, pois garante o fluxo de divisas e de bens de consumo de uma país com o exterior para sustentar as reservas cambiais.
“Por isso, acredito que este modelo pode ser um ganho para a sociedade, uma vez que vai atrair mais divisas ao país com a venda de bens de consumo aos outros mercados, aliás, o empresariado nacional tem uma grande responsabilidade nesta matéria, pois são eles os grandes jogadores nesta competição económica”, disse.
Por seu turno, o representante da Frigel, empresa portuguesa importadora de bens alimentares e bebida, Nuno Matos, disse que esse modelo pode ser benéfico se todas as empresas beneficiarem de divisas, ao contrário, “vamos continuar a comprar os dólares no mercado como
acontece actualmente”.
“Há dois anos que não compro divisas aos bancos comerciais, por isso, as importações também baixaram”, lamentou Nuno Matos.
O documento que o JE teve acesso assegura que este modelo vai permitir que as empresas do sector produtivo possam programar e a comunicar as suas necessidades de divisas para a importação do trimestre seguinte aos departamentos ministeriais do sector produtivo.
A proposta sustenta ainda que o Ministério do Comércio e da Economia e Planeamento devem adoptar um programa de pedidos de bens de consumo final, a importar que se encontrem na lista da cesta básica.