A estratégia 2025 reserva um lugar especial ao capital humano considerando-o determinante para o crescimento sustentável.
A afirmação é do ministro da Economia e Planeamento, Pedro Luís da Fonseca, quando discursava na abertura do seminário de divulgação do Processo de Revisão e Extensão da Estratégia de Desenvolvimento Angola 2050, realizado, ontem, em Luanda.
Na ocasião, o responsável destacou que a nova estratégia, terá em conta os resultados do Estudo sobre o Dividendo Demográfico, gizando aproximações que aumentem substancialmente o Índice de Capital Humano, ainda muito baixo em Angola.
“A globalização da estratégia 2025 está a transformar-se, por um lado, por movimentos, doutrinas e mesmo ideologias proteccionistas que é necessário levar em atenção e, por outro, pelo grande desafio da China, a construção de uma nova fronteira mundial dos movimentos comerciais e das trocas internacionais: A nova rota da seda”, disse.
Para o governante, o Recenseamento Geral da População e Habitação de 2014 vai facilitar, enormemente as abordagens referentes ao desenvolvimento.

Importância
Tendo em atenção que o processo deve envolver toda a sociedade, o Ministério da Economia e Planeamento pretende com este seminário divulgar o arranque do processo de revisão e extensão da Estratégia de Longo Prazo até ao ano 2050, os temas que vão presidir o processo de revisão e extensão da Estratégia de Desenvolvimento de Longo Prazo até 2050.
O ministro sublinhou que desde 2008 que a economia angolana foi afectada por dois choques petrolíferos, totalmente inconsiderados na estratégia 2025, originados pela queda do preço do petróleo no mercado internacional e que provocaram consequentemente duas crises económicas, financeiras e sociais.
“Estas duas crises afastaram o crescimento das metas estabelecidas na estratégia 2025”, precisou.
No período 2008-2012, o PIB variou a uma taxa média anual de 3,9 por cento e os outros PIB´s respectivamente 2,4, o petróleo 9, o não petrolífero, a segunda crise petrolífera, depois de 2014 foi mais dilacerante sobre o sistema produtivo e o tecido social 2,7 para o PIB, 1,9 para o PIB petrolífero e 3 por cento para o PIB não petrolífero.
Para o ministro, estes são aspectos “irreversivelmente” justificados da revisão da estratégia 2025.
Pedro Luís da Fonseca explicou que a estratégia 2025 foi concebida, na sua componente dos efeitos sociais do intenso crescimento que propunha (cerca de 9 por cento ao ano de variação real do produto interno bruto), assumindo os compromissos espelhados nos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio , cujo cumprimento ficou, “abaixo dos 50 por cento”.

Políticas traçadas
O governante salientou que enquanto documento orientar, a estratégia 2025 foi levada em consideração nos Planos 2009-2013 (Plano de Desenvolvimento de Mádio Prazo) e 2013-2017 (Plano Nacional de Desenvolvimento).
“Todavia, quer um, quer noutro, nem as metas de crescimento se aproximaram das estabelecidas na estratégia 2025, nem, tão-pouco, as políticas se decalcaram daí”, disse.
Para ele, situações sociais e económicas diferentes apelam a outros modos de ver e interpretar as realidades e de elaborar políticas de intervenção “atenuadoras ou renovadoras ou mesmo revolucionárias”.

Visão ambiciosa
Por sua vez, o secretário de Estado do Planeamento, Manuel Neto da Costa, disse que o objectivo da estratégia 2025/2050 deverá definir uma visão ambiciosa e programática, assegurando uma vasta participação e consenso da sociedade civil angolana.
Segundo revelou, poderá, também servir de suporte fundamental à elaboração de políticas públicas e respectiva execução, bem como clareza e especificidade capazes de traduzir ambição em política em um modelo de governo claro.

Acções
O documento estratégico que vem orientando as acções dos governos desde o ano de 2000 é a Estratégia de Desenvolvimento de Longo Prazo “Angola 2025”.
Entretanto, foi avaliado que, devido a factores de natureza interna e externa, as etapas iniciais da implementação da estratégia não proporcionaram os resultados esperados, tendo-se decidido pela sua revisão e extensão até ao ano de 2050.

Desafio

“Aldeia turística”capta investimentos

Angola está a se preparar para ainda este ano lançar o programa “Aldeia turística”, para atrair visitantes nacionais e internacionais.
Segundo a titular da pasta Ângela Bragança quando falava em conferência de imprensa, em Luanda, na passada segunda-feira, sobre o Fórum Mundial do Turismo (WTF), que se realiza em Angola nos dias 23, 24 e 25 de Maio, o projecto visa traçar o caminho para um turismo sustentável e que agregue valor ao país.
“As aldeias turísticas vão mostrar aos visitantes as habitações tradicionais de cada região, os rituais, o artesanato, a gastronomia, entre outras potencialidades, que vão impulsionar os micro e pequenos negócios”, explicou.
Por outro lado, a ministra adiantou que ainda o sucesso do sector da Hotelaria e Turismo em Angola passa pela formação e informação das famílias, particularmente as das zonas com grandes locais de atracção turística.
Os pólos turísticos estão definidos e o que se pretende com eventos como este fórum é atrair investidores privados para potenciar estas zonas, que durante muito tempo foram sediadas ou ocupadas mas que não foram aproveitadas correctamente. Prevê-se que durante o fórum 24 hotéis estejam ocupados e a participação de 1.500 pessoas.