O sector de artigos de decoração em Angola tem registado, nos últimos tempos, um abrandamento nas vendas motivado pela perda do poder de compra dos clientes, o que faz com que muitas franquias encerrem os seus estabelecimentos.
A informação foi avançada pelo gerente da loja de decoração Ecomez, Alberto António.
Segundo o gestor, o sector teve um certo crescimento positivo há alguns anos, mas com a situação difícil da economia houve uma desaceleração.
Entretanto, adianta que, apesar das baixas vendas, o sector tem sobrevivido e a abordagem do negócio hoje é diferente do passado, fruto das dificuldades económicas, tendo em conta que o mercado exige inovação na forma de actuação.
O gestor diz que os produtos com mais aceitação no mercado são os enfeites de sala, cozinha, vasos e cortes trabalhados.
“O nosso público-alvo é bastante amplo, mas o que possibilita até hoje ter algumas lojas abertas é a quantidade de produtos em stock”, disse , apontando que a variedade de produtos vendidos têm mantido o negócio com uma facturação razoável.
Em Janeiro, por exemplo, segundo diz, as vendas foram baixas como acontece todos os anos depois da quadra festiva. “Mas, hoje, o cliente tem outra cultura e dificilmente compra por emoção. Há mais selecção no que se quer, e fazem-no de forma faseada”.
Já o gerente da Retrosaria Teia, Emanuel Cardoso, no mercado nacional há mais de 20 anos, salienta que o sector de artigos de decoração é um ramo que atrai vários clientes ligados à construção civil, estilistas, decoradores, donas de casa e as revendedoras de artigos decorativos.
“Há um maior interesse das pessoas em decorar casas e empresas que querem deixar o seu ambiente melhor, optimizando espaços com bons itens para decorar”, disse.
Acrescenta que os artigos decorativos acabam por encarecer pela dificuldade de importar, pelo que as opções passam a ser os mercados de países vizinhos, como os Congos Brazzaville e Kinshasa.
Emanuel Cardoso destaca que a remodelação do espaço de decoração visa alterar a forma como se expõem os artigos, espalhando as mais recentes tendências de decoração e oferecendo múltiplos estilos e abordagens decorativas.

Concorrência
O gestor da empresa Ango Farhat, Almir Karin. disse que a concorrência no mercado.
Mas afirma que é importante tomar algumas medidas para evitar riscos desnecessários e assim não perder o capital inicial investido.
“Quando falamos em concorrência, devemos também pensar em localização. Se é o único empreendedor do bairro de um segmento, logicamente não terá concorrência”, disse.
Segundo Almir Karin, antes de escolher a localização que acredita ser lucrativa para a sua loja de artigos decorativos, deve-se levar em conta a situação urbana e a concentração populacional.
“O negócio de decoração é rentável e as crises são cíclicas e acredito que vamos sair dela mais fortes e com uma lição mais sólida de como empreender, pois, não existem negócios fáceis, e quando somos empreendedores devemos estar preparados também com os momentos menos bons”, disse.
Enfatiza ser importante buscar sempre alternativas para contornar as vicissitudes que o mercado apresenta. “Os clientes fiéis mantêm o negócio estável, porque não deixamos de trabalhar, apesar de faltar um ou outro artigo. Continuamos a oferecer os produtos que sempre habituamos aos clientes, apesar dos preços serem mais altos”, finalizou.