Francisco Inácio

A palavra “expansão”, mais do que um denominador comum dos planos dos bancos numa perspectiva de médio e longo prazo, constitui o novo slogan da banca angolana. No estudo publicado recentemente pela empresa de consultoria Deloitte Angola, as estratégias delineadas pelos gestores convergem para a necessidade de expandirem os seus serviços bancários em todo território nacional e, nalguns casos, o plano de expansão se estende para o estrangeiro, sobretudo, nos países com forte ligação com o mercado angolano.

A economia nacional registou um forte crescimento em 2008, impulsionado pela conjuntura internacional favorável ao país, devido à subida histórica do preço do petróleo. A maior parte das instituições bancárias angolanas soube aproveitar oportunamente o ritmo de crescimento e estabilidade dos indicadores macroeconómicos no período que antecedeu a deflagração da crise financeira e económica internacional. Prova disso são os elevados níveis de rentabilidade dos capitais próprios (ROAE) que em 2008 se situaram, em média, acima dos 40 por cento.

Uma das iniciativas positivas da participação da banca no processo de crescimento da economia foi o aumento em 38% do volume de crédito concedido, que cresceu de Kz 312 mil milhões em 2007 para Kz 430 mil milhões no ano seguinte, e a expansão dos seus serviços através da abertura de novas agências em todos os municípios de Luanda e um pouco pelo país.

Expansão da rede

Os maiores protagonistas desta fase de expansão iniciada no ano passado foram os bancos BFA, o BIC e o BPC. Até final de 2008, os dois primeiros abriram em conjunto mais de 200 agências. Questionados sobre as metas para o biénio 2009/2010, os gestores destas instituições bancárias mostraram-se confiantes e muito optimistas quanto ao futuro da economia angolana.

“Vamos continuar a expandir a nossa rede de agências alargando a cobertura nacional para os municípios das diferentes províncias que ainda não beneficiaram de actividade bancária”, afirmou Fernando Teles, presidente do banco BIC.

Por sua vez, o presidente da comissão executiva do BFA, Emídio Pinheiro, referiu que continua a acreditar no potencial de desenvolvimento de Angola. “Iremos manter a linha de crescimento acelerado da nossa rede de agências e a modernização da nossa oferta de produtos e serviços financeiros”, anunciou.

O presidente do Banco de Poupança e Crédito, Paixão Júnior, garantiu igualmente que nos próximos dois anos o banco que dirige vai abrir 50 novas agências bancárias em todo o pais e perspectiva uma evolução dos activos líquidos e dos depósitos de clientes na ordem dos 17% e 19%, respectivamente. O banco também tem os olhos postos na modernização do sector de tecnologias de informação. “No exercício de 2008, os recursos de terceiros superaram as metas preconizadas em cerca de 13% e permitiram o aumento de USD 25 milhões na carteira de crédito”, afirmou.

Já o banco Millennium Angola, que este ano recebeu da revista EMEA Finance o título Most Innovative Bank em Angola (melhor banco inovador, numa tradução livre), prevê investir USD 200 milhões na expansão da sua rede de sucursais. Este investimento irá permitir a criação de 1.000 postos de trabalho durante os próximos três anos.

Novo banco

O presidente do Banco Espírito Santo Angola (BESA) afirmou que a sua instituição tem investido muito na criação de um sistema de informação, na modernização e também na expansão da sua rede de agências. Ao avaliar o exercício de 2008, ele mencionou positivamente o investimento feito para iniciar a operar uma entidade gestora de fundos de investimentos mobiliária e imobiliário, designado BESAACTIF.

Neste momento, o banco aguarda a autorização do Banco Nacional de Angola (BNA) para a criação de uma sociedade de leasing e uma sociedade correctora. “O BESA irá participar também no capital de um novo banco de investimento, denominado Banco Espírito Santo Investimento. O processo para criação deste banco já deu entrada no banco central”, garantiu o presidente da comissão executiva do BESA, Álvaro Sobrinho.