Imparável! Assim vai a nova geração. Cada vez mais astuta, e hábil em criar soluções para às adversidades do tempo. Desistir? É coisa de fracos. Avançar devagar e à passos seguros isto sim! Como diz um sábio adágio “A panela não entornou apenas inclinou”. Assim vai, tenaz e persistente, a juventude com vontade de vencer. Não importa a hora do dia, o importante é facturar de forma honesta. Ganham à vida proporcionando alegria: São chamados Disco Jokey (DJ) uma actividade que se pratica com mais destaque às noites. Nos casamentos, baptizados, festas de aniversário, e outras actividades dançantes são imprescindíveis. Estão lá! Verdadeiros noctívagos, o negócio permite sobreviver”.
Com os dedos “mágicos” na misturadora, controlador de som, equalizador de som (MIX), e fones aos ouvidos à um som da música nacional o jovem (DJ) Carlos Alberto está embalado. Os convivas estão galvanizados “Ai minha mãe, ai minha mãe, ninguém foge, ninguém foge”. O refrão invade os ouvidos de todos. Jovens e adultos perderam-se na roda. Sorrateiramente Maria Fátima marca passos para trás está a fugir “o som aleija o ouvido” diz.

Facturar
O DJ é da nova vaga que aos poucos está a conquistar o seu espaço toca desde o Zouk, Semba, Pop, e Kuduro. O dinheiro está assegurado são 50 mil kwanzas. No passado semanalmente participava em três eventos, facturava acima de 150 mil kwanzas. Com a economia em baixa, ter um convite para receber 80 mil kwanzas está difícil. “As propostas vão na ordem de 50 mil, às vezes até 20 mil kwanzas”, explica.
Não dispõe de material próprio por incapacidade financeira, trabalha com aparelhos de um parente com quem divide o dinheiro que amealha, além de dois colaboradores motorista e ajudante. Ainda assim, “dá para fazer alguma coisa”, afirma. A compra de um aparelho que proporcione música “alta” chega a custar entre 800 mil a 1 milhão de kwanzas.
Há meses de verdadeira “travessia no deserto”, os convites são raros nestas ocasiões, ganham os DJ que trabalham na condição de residentes. O jovem a frequentar o ensino superior numa universidade privada, toca por gosto . “o negócio é bom”. Atento às mudanças, criou à sua micro-empresa ligada a música e fotos. “Fiz o curso de recursos humanos no ensino médio, aprendi o empreendedorismo”, Com a situação económica apertada a prática é a solução.

Sociedades anónimas
Um outro DJ identificado por Kiki com cabelo pintado actua no município de Viana. Não tem aparelhos. A solução foi associar-se a três amigos, um arranja colunas, outro a misturadora, o terceiro arranja outros acessórios. Assim ganham a vida, tudo depende do engenho. Funcionam à espécie de SA. Dominam as festas de contribuição, e os ravs. Por cada actuação recebem 70 mil kwanzas, aliás por vezes fazem os contratos em função do número de ingressos, realçam que ganham mais assim. Envolvem-se no “bisne” de sexta a sábado. Participam também nos “forrós” de muzogue aos domingos. Paulatinamente, vão reduzindo as dificuldades sociais. “O cinto está apertado”, numa clara alusão às dificuldades económicas. Os três estão na casa dos 20 anos, cada um com o dinheiro que arrecada sustenta a família. Com créditos firmados no negócio, lamentam o custo altíssimo do material, “estamos neste negócio há mais de um ano, mas comprar um aparelho está difícil”, afirma o jovem.

Bilheteira define o caxé
Uma fotografia com jovens lindas do sexo feminino, está afixado num poste de energia. Está feito o anúncio para uma “badalada” ao sábado no bairro morro Bento, no município da Maianga. Choca é o nome do DJ, a entrada custa 2 mil e 500 para homens e mil e 500 para mulheres. Da venda do bilhete saíra os 50 mil kwanzas do contrato firmado com a organização. Deste valor vai sair metade para o proprietário do aparelho. Assim Choca e seu grupo ganham o pão.
Se de um lado estam os profissionais, do outro estão os animadores nos mercados que também sustentam à sua família com actividade de DJ. Por exemplo no antigo mercado do matadouro logo à entrada há uma música ensurdecedora, É frequentado por muita gente para degustar um bom funje.
Marco Varcio é deficiente físico, é o DJ de eleição no local as feirantes contribuem diariamente, um valor para compensar o esforço. Ao todo leva por dia uma média de 6 mil kwanzas, durante sete dias encaixa uma quantia 36 mil kwanzas. Este dinheiro é repartido a dois com um jovem que ajuda na montagem e desmontagem do material de trabalho.

interior
No interior do país, há sinais de crescimento deste negócio, não há diferença, em cada localidade os preços variam de acordo o calibre do DJ. Em conversa telefónica, o “DJ fecho” da cidade do Cuito, conta que há muita juventude a ganhar a vida assim. “Os preços que os clientes pedem também baixos dado o custo de vida”.