Hoje em dia, com a falta de tempo para tanta coisa é normal as pessoas acabarem por comer com regularidade em alguma hamburgaria, logo na esquina da rua.
Foi a pensar num novo serviço de comidas rápidas que o jovem empreendedor Helivelton Francisco criou um novo conceito de restaurante “fast food” (comidas rápidas), a “Dooh Ponto”.
Com seis unidades espalhadas em várias zonas de Luanda e uma na cidade de Pretória, África do Sul, o jovem empreendedor afirma ser a área certa para investir no país, onde o projecto “Dooh Ponto” já criou 150 postos de trabalho em menos de dois anos.
Formado em engenharia e telecomunicações, Helivelton Francisco, conta que tudo começou quando de regresso ao país, de férias, decidiu abrir uma roulote de venda de hambúrgueres para custear despesas básicas de combustível, e percebeu que o negócio era rentável.
Adiantou que o negócio começou com a roulote que tinha uma facturação mensal de 500 mil kwanzas, e com alguma poupança feita durante anos de trabalho no estrangeiro decidiu criar o primeiro restaurante fast food “Dooh Ponto” em 2017. “E não parei mais até hoje”, contou Helivelton Francisco dando ênfase que se devem criar novas formas de investimentos de maneira a criar postos de trabalho no país.A empresa ganhou a simpatia de clientes fiéis por congregar funcionários treinados, comodidade, interactividade e um atendimento personalizado.
É a primeira marca de fast food angolana a ser internacionalizada e a operar ao lado de grandes marcas conhecidas internacionalmente.Informou que a firma tem uma facturação mensal de mais de 80 milhões de kwanzas. “É um negócio rentável e sustentável por estarmos na área da restauração e por o Fast Food ser uma comida muito apelativa. Acredito que hoje devemos apostar em sectores que criam muitos postos de trabalho e o da restauração é um deles”, disse o empreendedor.

Projectos

A expansão para outras províncias como Benguela, Huambo, Huíla, Malanje, e Cabinda com a intenção de dar o primeiro emprego a outros jovens com a abertura no próximo ano de 50 unidades e a criação de 1.780 postos de trabalho, é um dos seus objectivos imediatos.
“Já fizemos estudos de viabilidade e notamos que é possível criar este número de postos de trabalho, mas não consigo fazê-lo sozinho. Necessito de um investidor ou apoio do Estado para materializar este projecto, e assim ajudarmos o Governo na criação de mais postos de trabalho para os jovens”, referiu.
Chegar o mais próximo possível das comunidades é uma das pretensões estabelecidas para, segundo Helivelton Francisco, poder ocupar muitos jovens que precisam de uma oportunidade de emprego.
Garantiu que a empresa emprega também, jovens que tiveram problemas com a justiça, ex-reclusos, ex-toxicodependentes que precisavam de uma nova oportunidade para mudarem as suas vidas.
“Acreditamos que as pessoas mudam, e os erros são um aprendizado para a vida toda. Sinto-me satisfeito por ajudar o próximo porque sei que com este acto estou a ajudar um agregado familiar”, salientou.
Segundo referiu, os investidores angolanos dão pouca atenção à área da restauração no que toca ao fast food. Lembrou que no Brasil esta indústria representa 2,0 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), e em Angola podemos elevar este sector por ser transversal e criar postos de trabalho rápidos.

Importação

A empresa importa unicamente da África do Sul, os molhos e pacotes que usa nos take-away bem como toda a maquinaria. Tudo o resto é adquirido no país como as carnes, ovos, pão, hortícolas, entre outros.
“Sempre que necessito um fornecedor de determinado produto viro-me para os fornecedores nacionais, Normalmente, lanço um concurso nas redes sociais, e se este empreendedor não tiver ainda capacidade para atender a Dooh Ponto predisponho-me a ajudar no investimento e renegoceio as tarifas de aquisição do produto”, salientou.
Adiantou ser esta uma oportunidade, para o eventual parceiro crescer no negócio e aumentar a sua capacidade de atender os seus clientes, ao mesmo tempo que sublinhou ser uma prática constante.

Dificuldades

Com a situação económica menos boa que o país enfrenta, segundo Helivelton Francisco, é muito difícil fazer negócio mas não impossível. Adianta que as margens de lucros baixaram e a forma de abordar o mercado deve ser totalmente diferente da do passado.

Empreendedorismo também faz-se com problemas

O jovem disse que na área da restauração tem de fazer um esforço titânico para manter o padrão de qualidade desejado, porque se hoje usar um tipo de maionese amanhã o mercado pode não dispor mais deste produto. “Logo, és obrigado a adquirir outro tipo de maionese e isso pode influenciar no produto final ”, disse.
Apesar das dificuldades, Helivelton Francisco acredita que a situação económica vai mudar, e assegura que vai continuar a apostar no negócio. Pretende tudo fazer para mantê-lo rentável, sempre com atenção no comportamento do mercado.
Afirmou que adaptar-se à realidade económica do país é indispensável, e não pensa despedir nenhum trabalhador, porque “sei o quão difícil é conseguir um emprego no país, e muitos têm família. Por isso, penso sempre em formas de contornar os problemas da empresa sem olhar no corte de pessoal”, afirmou.
O proprietário da Dooh Ponto salientou que o empreendedorismo também faz-se com problemas.
“Nunca pensei que seria fácil quando comecei o negócio, mas acredito que para cada problema há uma solução. Basta acreditarmos que é possível encontrar as soluções para os mesmos”, finalizou, afirmando que todo o jovem empreendedor deve pensar desta maneira.