A Associação de Empresas de Comércio e Distribuição Moderna de Angola (Ecodima) considera que o pedido de uma guia sanitária de desalfandegamento de mercadorias nada acrescenta ao processo de controlo e segurança alimentar, uma vez que funciona apenas como um meio de encarecer o produto final através de cobrança de mais uma taxa.
Em relação às análises laboratoriais, os responsáveis da Ecodima entendem que a legislação ainda não é clara no que toca aos produtos altamente perecíveis que são importados por via aérea. “O que a lei sugere é que as análises laboratoriais devem ser efectuadas o mais breve quanto possível”.
Em entrevista ao JE, os membros da Ecodima defendem que produtos como iogurtes, peixe fresco, frutas e legumes têm uma vida útil inferior ao tempo de resposta dos laboratórios na emissão do certificado que comprova a sua qualidade.
Sugerem que este tipo de mercadoria deve beneficiar de um regime especial em que o produto possa ser comercializado apenas com o certificado de qualidade da origem, não obstante da realização das análises laboratoriais em território angolano para posterior prova da qualidade do produto.

Dificuldades
“A escassez de divisas e a desvalorização do kwanza criou mais constrangimentos a nível da importação, pondo em causa a viabilidade de muitas empresas que actuam no sector do retalho e comercialização de produtos básicos e essenciais para o bem-estar das famílias angolanas”, alegam os importadores.
Os empresários avançam igualmente que as famílias e os cidadãos perderam o poder de compra, sendo que o clima económico e financeiro é um desafio para qualquer empresa, visto que todas necessitam de ter acesso às mercadorias, nalguns casos matérias-primas, do exterior com qualidade internacional e isso tem um impacto na estrutura de custos.
“Apesar dos esforços que as empresas vão fazendo para a diversificação das suas iniciativas empresariais, com realce para a agricultura, a produção nacional ainda é insuficiente para substituir a necessidade de comprarmos certos produtos no exterior”, atestam, acrescentando que persistem também problemas a nível de recursos humanos, acesso à água e energia.

Qualidade dos produtos
Neste contexto, a associação mostra-se preocupada com o mercado informal e as centenas de armazéns quase a céu aberto, muitos dos quais possuem licenças para operar, representam vendas diárias de toneladas de alimentos, mas sem qualquer controlo do ponto de vista da higiene e segurança alimentar.
Por essa razão, consideram de positivo o surgimento e crescimento da rede comercial retalhista porque, além de gerarem mais postos de trabalho, permite também absolver o mercado paralelo.
Como desafios para este ano, a Ecodima quer intensificar a internacionalização dos seus associados, muitos dos quais já exportam para países como Portugal e África do Sul, cuja meta é trabalhar para ajudar no processo de crescimento e desenvolvimento da economia nacional.