Apesar do actual panorama económico de crise mundial, o cenário de Angola, em termos macro-económicos, é positivo, na medida em que continua a crescer e é um dos poucos países que vai continuar a crescer mesmo sob efeito da crise, afirmou o ministro da Economia, Manuel Nunes Junior.

O titular da pasta da Economia, que fez esta afirmação quando dissertava, ontem, em Luanda, na conferência sobre o tema “Crise no mundo e em Angola, o que é, onde está, quanto custa e como resolver”, disse acreditar que o país não vai viver uma recessão económica.

A economia de Angola, sublinhou o ministro da Economia, não vai entrar numa retracção, embora haja um abrandamento no seu ritmo de crescimento, prevendo-se que a mesma continue a crescer a uma taxa superior à de crescimento da população, que está estimada em três por cento.

O ministro disse que é necessário continuar a dar curso às acções de combate à pobreza e à melhoria da qualidade de vida dos angolanos, sendo essa a orientação do governo para os próximos anos.

Manuel Nunes Júnior disse existirem alguns aspectos positivos no meio da crise, o primeiro dos quais tem a ver com a redução dos custos dos alimentos e outros produtos, factor favorável aos países importadores.

Medidas de austeridade e de rigor

Entre as medidas para mitigar os efeitos da crise, Manuel Nunes Júnior destacou medidas como a redução dos gastos públicos em bens e serviços, desde que salvaguarde as despesas mínimas obrigatórias e a reprogramação dos investimentos públicos, dando prioridade aos grandes projectos já financiados.

Como medidas, reiterou ainda a necessidade de se acelerar o programa de saneamento e reestruturação das empresas públicas, numa altura em que, no âmbito da diversificação da economia, o Governo vai deixar de importar o que é produzido internamente, com vista a melhorar a balança de pagamentos.

O ministro da Economia anunciou que foi realizada uma nova estratégia de comercialização de diamantes, que consiste na sua compra pelo Governo, devido à baixa de preços, a um nível tal, que algumas empresas perderam a capacidade de continuar a operar.

“O Estado manifestou interesse de continuar a comprar os diamantes, enquanto os preços não atingirem o nível esperado e o mercado está a reagir positivamente”, referiu.Do conjunto de medidas consta, igualmente, a conversão da Comissão Permanente do Conselho de Ministros em Comité de Gestão dos efeitos da Crise.

Manuel Nunes Júnior afirmou que é preciso não cair em radicalismos nem fundamentalismos. O mercado não resolve tudo nem o Estado. O mercado tem falhas e o Estado também, sendo necessária uma harmonia perfeita entre os dois lados.