Nos últimos 15 anos, Angola atraiu o menor volume de Investimento Directo Estrangeiro (IDE) em percentagem do PIB, com relação a qualquer grupo comparável (1,7 por cento contra 2,6 na SADC e 3,8 nos países “campeões” de crescimento de longo prazo).
Segundo o ministro da Economia e Planeamento, Manuel Neto da Costa, que falava no fórum sobre investimento, a falta de IDE gerou um ciclo vicioso. O Estado de forma não intencional, desincentivou o investimento de longo prazo e de qualidade, tendo gerado uma excessiva concentração económica no Estado e nas empresas públicas.
Como consequência, segundo avança, Angola apresenta hoje uma economia rendeira (que vive de importações), com papel diminuto do sector privado e reduzida atractividade aos olhos dos investidores internacionais, estando na posição 137 (de 140) no índice de competitividade do World Economic Forum e na posição 170 (de 190) no Ease of Doing Business.
Por isso, considera que, do ponto de vista financeiro, a dificuldade no repatriamento de capitais emerge como a principal preocupação, actuando como barreira muitas vezes decisiva à entrada de investidores estrangeiros no país, porque enfrentam enormes dificuldades para repatriar os seus lucros.
“Para alavancar a actividade económica privada, devemos dar resposta a esses constrangimentos depende, naturalmente, da implementação de múltiplas iniciativas em vários domínios.
O governante diz por exemplo que, ao nível do Governo, é importante manter e intensificar as apostas no combate à corrupção, abertura ao sector privado e melhoria do ambiente de negócios, com o estabelecimento de metas concretas que permitam aferir, de forma objectiva o progresso e o sucesso.
“Adicionalmente, a procura de assistência financeira via empréstimos directos, fundos de investimento, acordos comerciais, entre outros, deverá também ser uma prioridade, como fontes de capital que impulsione a presença do sector privado” disse.
No seu entender, a promoção de um mercado de capitais activo assume-se como importante, permitindo aos fundos de pensões, seguradoras e outros agentes financeiros, financiarem, de forma directa, o sector empresarial.
Manuel Neto da Costa, refere por outro lado, que as acções ministeriais deverão ser duais, resolvendo os temas específicos de cada sector de forma individual (p.ex. coordenação de roadshows eficazes para atracção de investimento para o sector).
O ministro avança ainda, que do lado do banco central, a expectativa é dar respostas às preocupações com a garantia e certeza de repatriamento dos capitais, mas sobretudo dos investidores adequados, i. e. de longo prazo, quanto ao nível das instituições multilaterais, o apoio tanto no financiamento como na capacitação deverá ser mantido e até alargado se possível.