A economista angolana Marinela do Amaral, defendeu nesta sexta-feira, em Luanda, a criação de políticas estruturadas e de estímulo ao surgimento de pequenas e médias empresas eficientes em Angola, como parte integrante do conjunto de soluções a serem tomadas no sentido de atenuar os efeitos da actual crise económico-financeira mundial.

De acordo com Marinela do Amaral, que palestrava sobre a “Crise do Sistema financeiro internacional: perspectivas de mudanças no futuro”, a criação de pequenas e médias empresas eficientes poderá permitir a geração de mais empregos, bem como garantir o equilíbrio base da economia angolana.

“São as pequenas e medias empresas que vão gerar empregos em Angola. Temos que criar um quadro capaz de permitir a existência de uma rede eficiente dessas empresas”, disse a economista, acrescentado que é com o fortalecimento do sector privado que se conseguirão grandes resultados.

Com efeito, refere a economista, no actual contexto mundial uma das saídas eficientes que se reservam ao país é a diversificação da sua economia, pois deste modo estariam acautelados uma série de interesses e evitar-se-ia a dependência total dos sectores petrolífero e diamantífero.

Marinela Amaral disse esperar que as medidas de gestão macroeconómica e sectorial que estão a ser tomadas pelo Governo, como por exemplo a contenção de gastos, venham conformar e acomodar eventuais efeitos negativos da crise no contexto angolano.

“O Governo está dinâmico e seguro na sua actuação, e existe uma forte confiança no sistema bancário nacional, fruto da prudência e a forma particular como o Banco Nacional de Angola tem adequado as suas políticas, por isso espera-se que tudo corra bem”, vaticinou.

No plano internacional, a economista espera que os governos ajam de forma concertada e não isolada, de modo a que as medidas tomadas possam garantir segurança e confiança do mercado, evitando assim o colapso da economia global.

A derrocada financeira global teve início nos EUA em Março de 2007, com a crise do "subprime", como é chamada a modalidade de empréstimos de segunda linha no país.

Com o aquecimento do mercado imobiliário, sociedades financeiras americanas passaram a confiar de modo excessivo em pessoas que não tinham historial de pagamento de dívidas.

O bom momento económico de então, com taxas de juros baixas no país e boas condições de financiamento, fez os americanos se endividarem para comprar imóveis. Os bancos decidiram transformar os empréstimos hipotecários em papéis e venderam a outras instituições financeiras, culminando numa perda generalizada.

Alguns dos maiores bancos dos Estados Unidos anunciaram prejuízos bilionários e tiveram de ser socorridos pelo Governo.