A companhia aérea dos Emiratos Árabes Unidos (Emirates Airlines) está a registar uma diminuição significativa no tráfego de passageiros, resultante da crise económica que o país atravessa.
A informação foi avançada pelo director da companhia, Luís Berenguel, que, sem adiantar números, considera positivo o balanço das actividades do grupo em Angola. No seu entender, já se observa uma tendência de recuperação da economia, sobretudo da confiança dos consumidores e do empresariado.
“Por isso, decidimos aumentar de três para cinco o número de voos semanais, desde Julho último, e em Setembro, retomámos os voos diários”, disse para acrescentar que, esta decisão demonstra a confiança que têm em Angola.
Em entrevista ao JE, Luís Berenguel avançou que a empresa tenta rentabilizar as suas operações através de um plano estratégico de negócios por via de orçamentos rigorosos com cortes nas despesas não essenciais, mas sem comprometer a qualidade dos serviços prestados.

Custos operacionais
Luís Berenguel referiu que o aumento do preço do combustível que se registou há algum tempo no mercado é compreensível, pois entende que as indústrias são dinâmicas, “e todos nós devemos estar preparados para as mudanças que ocorrem no mercado”.
Por isso, assegurou que não houve despedimentos de pessoal até ao momento, e que o planeamento da companhia é rigoroso, permitindo manter os postos de trabalho.
No entanto, considera ser fundamental apostar na diversificação da economia olhando para o futuro do país e criar condições favoráveis ao investimento estrangeiro. Para tal, defende maior transparência a ascensão do ranking do país para fazer negócios.
Luís Berenguel, disse que, fruto de um trabalho árduo e longo com as autoridades locais, foi possível repatriar os capitais da Emirates.
“A aviação precisa evoluir, não só através dos empregos directos e indirectos resultantes da nossa operação e do valor da nossa presença no país, mas também promover Angola através da nossa rede, quer para negócios ou lazer”. disse.
Em Angola, a companhia emprega 48 pessoas e opera em mais de 160 destinos em 86 países, incluindo 16 destinos somente de carga.

Resultados financeiros
Dados que o JE teve acesso, indicam que no I semestre do ano financeiro 2018/2019, o lucro líquido do grupo foi de 62 milhões de dólares, uma queda de 86 por centoem relação ao ano passado.
As receitas totais fixaram-se em 13,3 mil milhões de dólares, numa subida de 10 por cento em comparação com os 12,1 mil milhões registados no mesmo período do ano passado.
Os custos com os combustíveis foram mais em relação ao mesmo período do ano passado, devido ao aumento do preço do petróleo (37 por cento) quando comparado com o mesmo período do ano anterior).
O JE apurou que, o combustível continua a ser a maior componente de custos da companhia, correspondendo a 33 por cento dos custos operacionais, quando comparado a 26 nos primeiros seis meses do ano passado.
Durante os primeiros seis meses de 2018, a Emirates recebeu oito aviões, dos quais, três Airbus A380 e cinco Boeing 777, prevendo receber até ao final de 2019 mais cinco.