O número de jovens que aposta na criação de pequenos negócios como forma de subsistência em várias áreas no município do Cuito, província do Bié, está a aumentar de forma considerável nos últimos meses e, como consequência disso, regista-se também um aumento do número de empreendimentos comerciais em toda a cidade.
O JE fez uma ronda em várias artérias da capital e constatou o surgimento de pequenos estabelecimentos comerciais geridos na sua maioria por jovens, desde boutiques, cantinas, lojas, estações de serviço, construção civil, salões de beleza, recauchutagens, hamburgarias, entre outros, que perfazem a preferência dos jovens na criação de pequenos negócios para o seu ganha-pão diário.
Os negócios, que na sua maioria são geridos por jovens com idades compreendidas entre os 25 e os 40 anos, ajudam no crescimento
e desenvolvimento económico da província. A falta de emprego nas instituições do Estado e privadas, a busca de novas oportunidades nos negócios e a escassez de determinados serviços locais, estão na base da criação de alternativas ao emprego para jovens que não existe na prática, afirmaram os jovens.
Por exemplo, Óscar Kapenda de 27 anos, gerente e proprietário da boutique “Chivinda”, aberta há cinco anos, possui um funcionário e está localizado no centro urbano da cidade do Cuito, disse que o número de clientes reduziu nos últimos anos devido a situação financeira do país.
O empreendedor salientou ainda que começou a exercer o seu negócio próprio no mercado informal com a venda de pequenas quantidades de roupas masculinas. Fruto dessa experiência, o jovem pensou na abertura e legalização da sua boutique e hoje é autonomo financeiramente.
“A venda de roupa aumentou de forma considerável, então pensei em legalizar a minha loja aqui mesmo no centro da cidade para
atender a mais clientes”, acrescentando, que actualmente importa a roupa que vende com a ajuda de pessoas que vão ao exterior para a comprar as suas mercadorias.
Óscar Kapenda revelou que no princípio do seu negócio foi muito difícil, sobretudo quando abriu a boutique em 2014. O espaço é alugado, e diariamente 15 clientes.
Já Aniceto Cassoma, outro jovem empreendedor, que aposta na área alimentar, estética e construção civil há 10 anos com o objectivo de atender as necessidades da província, disse que começou a actividade comercial com uma hamburgaria e estética com um estudo de viabilidade e pesquisas de negócios para saber o nível de rentabilidade e os riscos que corria no princípio.
O jovem é proprietário da hamburgaria “Garagem” e do salão de beleza e de estética “ Flor do Horiente”, com o diferencial do serviço de entrega ao domicílio. “Havia essa lacuna de entrega de comida porta-a-porta e o grande objectivo do negócio foi esse”, explicou.
O negócio que começou com seis funcionários, hoje conta com 15 devido ao volume de clientes que procuram os seus serviços.
Aniceto Cassoma começou o seu negócio com fundos pessoais, “ ter um investimento privado não tem sido fácil, tendo em conta a situação financeira em que o país se encontra e os bancos não concedem créditos para reforçar a expansão dos serviços”, afirmou.
Actualmente, os estabelecimentos de estética e de hamburgaria, empregam no total 40 funcionários, que têm nequeles o sustento das suas famílias e o ganha-pão diário, com a criação desses pequenos negócios.
A capacidade financeira actual para aquisição de meios para o apetrechamento das instalações tem impossibilitado, segundo o mesmo, a criação de negócios e a abertura de estabelecimentos privados, facto que preocupa os jovens da província e um pouco por todo país.
A experiência de Filomena Pedro, de 40 anos, comerciante de roupas femininas há mais de oito anos é diferente. Ela, por exemplo, faz a venda dos seus produtos em casa dos seus clientes, andando de casa em casa, quer para atrair mais compradores, como para
facilitar a vida dos seus clientes.
Filomena Pedro foi funcionária de uma empresa privada que fazia a venda de produtos de construção civil que encerrou as portas por razões financeiras e ela viu-se obrigada a reagir em função disso.
Hoje ela se desloca com frequência às terras do Samba, Brasil, onde compra a roupa que lhe servem de grande sustento da família. “É assim que aguentamos”, admitiu.