A empresa de Transportes Públicos (ETP) arrecadou no exercício económico de 2012, em várias localidades da província de Cabinda, cerca de 64,9 milhões de kwanzas.

Em entrevista ao JE, o coordenador da comissão da gestão da empresa ligada à transportação de passageiros e carga diversa, António Custódio, disse que a inoperalidade de 39 autocarros, dos 60 que a firma possui, impossibilitou atingir a meta planeada para 2012.

De acordo com António Custódio, os actuais 21 autocarros que se encontram em pleno funcionamento não estão a possibilitar dar cobertura a toda a província de Cabinda na transportação de passageiros e das suas cargas.

A fonte adiantou que para dar a solução à crise de superação dos autocarros avariados, uma equipa da empresa Campoteca, que fornece à ETP os autocarros, de marca Leyland esteve recentemente em Cabinda com o objectivo de fazer o levantamento das necessidades dos meios avariados e porterior recuperação.

Cobranças insuficientes
O coordenador da comissão de gestão da ETP, António Custódio, disse que a tarifa que a empresa transportadora pública pratica para transportação de passageiros e cargas diversas é insuficiente, o que não permite à firma que coordena arrecadar receitas suficientes para fazer sobreviver a instituição que tem pouca capacidade financeira para importar o material de recuperação, melhoramento das infra-estruturas degradantes e a formação de quadros. O preço mais alto é de 500 kwanzas e o mínimo é de 30 kwanzas. O aluguer custa 2.500 kzs/hora.

“Para prestarmos melhor serviço, teremos que rever os preços que a empresa pratica, porque esta tarifa também cria dificuldades. Toda a instituição sem liquidez é uma empresa falida e no caso concreto da ETP ela não consegue arrecadar receitas suficientes para sobreviver”, disse.

Segundo António Custodio, a empresa que dirige atravessa dificuldades extremas, desde as suas infra-estruturas que nunca beneficiaram de qualquer intervenção de reabilitação bem como formação dos recursos humanos, que na sua visão “é condição fundamental para o desenvolvimento de qualquer instituição”.

Salários baixos
Com dificuldades em adquirir fundos compatíveis para sustentabilidade da ETP, a empresa é forçada a pagar salários baixos aos seus trabalhadores. O chefe máximo de uma determinada área ganha 30 mil kwanzas e o empregado de limpeza recebe 8 mil kwanzas.   

A empresa conta com 98 trabalhadores, que transportam passageiros e mercadorias em toda a extensão da província. Pra a manuntenção dos autocarros, a firma conta com  oficinas nos municípios de Buco-Zau, Cacongo e Belize que cobrem as respectivas localidades e arredores.
 
Projecto
António Custódio adiantou que o Ministério dos Transportes pretende recuperar o sistema de transporte público nas províncias onde o sector deixou de existir e a ETP de Cabinda será a instituição modelo para as próximas empresas a serem criadas novamente noutras regiões.

Apoio na transportação
A par da empresa pública de transportes, ETP, a Giracab também tem contribuído para a transportação de passageiros e carga diversa, minimizando as carências que existem na região. A Giracab tem 90 autocarros e um navio que faz a transportação de passageiros de Cabinda/Soyo/Cabinda.

Dos 90 autocarros que a empresa privada de transportes tem, 34 funcionam em pleno e 56 têm ligeiras avarias que estão a ser superadas com o objectivo de garantir com tranquilidade a transportação de passageiros e cargas.

O director da Giracab, João Paulo Yoba, disse que os autocarros que a sua firma possui foram doados pelo governo provincial com o objectivo de apetrechar a província em meios de transportes públicos de forma a permitir que a actividade de transportação de pessoas e bens seja feita com satisfação.

Referiu que os autocarros sob seu controlo fazem linhas intermunicipais e comunais, nomeadamente nas áreas de Cacongo, Massabi, Buco-Zau, Belize e Tando- Zinze. No município sede, Cabinda, a cobertura é feita nas áreas de Cabassango, Chiweca e São Pedro.

Segundo ele, o navio opera três vezes por semana, às segundas, quartas e sextas-feiras, com uma capacidade para transportar 400 passageiros com bagagens. O custo de viajam para um adulto está no valor de 4.500,00 kwanzas, um adolescente paga 1.500,00 kwanzas.  

Maior intervenção
Entrevisto pelo JE, o jovem José Casimiro, estudante do Instituto Politécnico João Paulo, disse que tem sido um perigo após as aulas conseguir um transporte ou táxi para chegar até a casa, porque alguns taxistas que circulam a partir das 23 horas são delinquentes.  

O jovem José Casimiro aconselha às empresas da ETP e do Giracab a colocarem autocarros no período nocturno para evitar assaltos por parte dos delinquentes.

“O governo provincial deve encontrar uma solução para este problema que aflige a população em geral e a estudantil em particular. As empresas de transportes públicos devem também circular no período da noite para garantir a segurança das pessoas”, disse.