As primeiras peças de toalhas, lençóis, guardanapos e cobertores da empresa têxtil Alassola, ex-África Têxtil, começam a ser comercializadas nos próximos seis meses, disse à Angop, o seu director industrial, Hiroshy Yamamoto.
O responsável, que se fez presente na 7ª edição da Feira Internacional de Benguela que decorreu de 17 a 21 do corrente mês, disse que a empresa está a trabalhar afincadamente nessa aposta, pois tem já pessoal tecnicamente qualificado, estando a cuidar de pormenores logísticos.
“A Alassola passou a ser responsável pelo maior projecto têxtil de uma verticalidade de última geração em África, devendo introduzir uma inovação ao nível da oferta de produtos industriais Made in Angola, cujas necessidades são ainda, hoje, satisfeitas através da importação de artigos têxteis”, sublinhou o especialista.
Hiroshi Yamamoto referiu que, por ora, a empresa está a trabalhar na produção de fios, que constituem uma fase intermédia do sistema de produção, quando der início a produção nas suas diversas fases (tinturaria, acabamento, estamparia e confecção), vai funcionar ao máximo da sua capacidade instalada que são 12 milhões de toalhas de diversos tamanhos e cores, um milhão 608 mil lençóis, guardanapos (em número não definido) e 120 mil cobertores/ano, e uma necessidade de 11 mil toneladas de algodão.
Apontou uma necessidade, neste período, de 1.200 trabalhadores e, um consumo energético de oito a nove Megawatts da rede pública, uma vez que está a consumir dois a três mil litros de gasóleo/dia, para laborar nesta fase intermédia, dedicada à fiação.
“Nesse momento a empresa está a ter muitas despesas, por isso, no próximo mês de Junho vai exportar para Portugal 150 toneladas de fio, para tentar compensar as despesas”, referiu.
O responsável frisou que se vai exportar fios por não haver ainda mercado de consumo no país, visto que a indústria têxtil (fábricas Textang, de Luanda e Satec, Cuanza Norte), não está a trabalhar para necessitar dessa matéria.
“Daí que este leque de fios vai ser encaminhado para Portugal, como porta de entrada para a União Europeia (UE)”, acrescentou.
Sem quantificar, informou que nesta primeira etapa, a fábrica está a adquirir 70 por cento do seu algodão da Suécia e 30 porcento da Índia, tendo em conta a qualidade do algodão destes dois países, pois o mesmo hoje é tido como uma “comodity” e, tal como o petróleo, o seu valor depende da respectiva qualidade.
Referiu que o fio é um produto intermediário e essencial, que tem a ver com a qualidade do algodão, e depois de passar por essa fase, a empresa vai trabalhar na tinturaria, acabamento, estamparia e confecção que é a última etapa, numa labuta de 24 horas, em três turnos.
Sendo uma empresa industrial, acrescenta o director, a Alassola está dotada de um sistema de tratamento das águas, de modo a garantir a qualidade tanto dos tecidos, bem como da própria ecologia local, já que essa é cuidadosamente tratada antes de revertê-la ao rio.
Na FIB, a Alassola tratou de mostrar ao público visitante alguns exemplares acabados, em números consideráveis, tanto de toalhas, cobertores e lençóis, visando chamar a atenção a possíveis contratantes dos seus serviços.