Opaís continua a esbanjar dinheiro com a importação de produtos que compõem a cesta básica que deviam ser produzidos localmente, através de programas dirigidos ao empresariado nacional. A afirmação é do presidente da Confederação Empresarial de Angola (CEA), Francisco Viana. Francisco Viana diz não haver motivos de o país continuar a importar bens como milho, sal que podem ser produzidos internamente. “Não há divisas para o empresário digno que quiser importar equipamentos para a produção nacional, mas existem alguns malfeitores na banca comercial que têm os milhões de dólares à sua disposição”, apontou. O empresário prometeu conceder esta semana em Luanda, uma conferência de imprensa para a apresentação do “primeiro Congresso da Produção Nacional”, a realizar-se nos dias 28 e 29 do mês em curso. Além de lamentar o insucesso do programa Angola Investe, Francisco Viana referiu que o Estado não cumpriu com os juros bonificados nem com a cobertura do fundo de garantia real com a banca comercial. Fez saber igualmente que o empresariado tomou conhecimento do surgimento em breve do programa “Angola Investe Mais”, projecto que será melhor reforçado financeiramente, mas acompanhado e vigiado de modo, a permitir que o financiamento seja dado
a quem merece, faz e produz. Assegurou que muitas empresas que actuam no país encontram-se na falência em função do actual quadro económico e financeiro que o país enfrenta. O empresário acrescentou que o péssimo ambiente de negócios que o país vive é resultado de roubos financeiros protagonizados por alguns larápios, que tomaram de assalto a coisa pública. “Há gestores da banca comercial que emprestaram dinheiro a quem não deviam, e outros estão metidos em esquemas de venda de divisas”, denunciou.

Privatizações de empresas
Em relação ao processo de privatização de algumas empresas públicas, realçou que deve haver transparência, “não vale apenas fazermos das privatizações mais uma jogada de roubalheira”. Sobre o evento realçou que a ideia é “nos enquadrarmos dentro daquilo que o Governo tem em carteira para o sector privado, a julgar que até ao momento não temos conhecimento que programas de apoio à economia estejam em vigor, daí o congresso constituir uma pressão”, disse o empresário. A CEA entende haver boa vontade por parte do Executivo em colaborar com a classe empresarial privada por ser o motor da economia que gera
riquezas e cria empregos.