Os empresários sul-africanos do grupo Agri All Africa, manifestaram em Malanje, o interesse de desenvolver parcerias público-privadas com o Estado angolano, para a criação de cadeias de valor nas culturas agrícolas de maior rendimento e valor económico para o aumento da qualidade de vida das populações.
A intenção foi manifesta pelo Presidente de Conselho de Administração do Grupo empresarial, Dirk Hanekom, no termo da visita de dois dias a Malanje, que visou identificar as possíveis áreas de investimento em cadeias de valor agrícola para a produção de cereais com maior foco para o arroz, onde se prevê o cultivo de
cerca de 2 mil hectares.
O empresário destacou a realização de estudos preliminares das possíveis áreas de intervenção, mais concretamente nos municípios de Luquembo, Kangandala e Cacuso (Fazenda Pungo a Ndongo), para análise das características dos solos e outros factores climáticos para a criação desta e
outras cadeias agrícolas.
Os sul-africanos que se encontravam no país a convite do Governo angolano, através da Casa Civil do Presidente da República, já identificaram as áreas de investimento no Cuando Cubango (Perímetro irrigado de Missombo), nos municípios de Camacupa do Cuemba e tencionam igualmente desenvolver cadeias de valor de frutas, milho, feijão, algodão pecuária e outras culturas de rendimento.
Dirk Hanekom referiu que estas decisões podem ser também levadas em consideração se for tido em conta a necessidade de estudos de viabilidade que o mercado oferece e tornar viável os empreendimentos.
“Além do arroz olhamos para outras opções, e queríamos ser vistos, não tanto como investidores, mas sim para estabelecer parcerias público-privadas e elevar o nível de vida das comunidades que produzem com base no nosso modelo de produção, e com o envolvimento dos produtores locais”, disse o responsável.
O PCA da maior plataforma de empresários agrícola em África, insistiu na necessidade da realização de estudos e conhecer os vários factores determinantes a produção agrícola, no caso, solo, clima e outros.
Segundo o mesmo, um dos aspectos preocupantes a nível de África, tem a ver com o facto de os países não terem a capacidade de realizar o seu potencial para produzir proteínas animais, o que torna necessário possuir as cadeias de valor como de , grãos, cereais, leguminosas mais funcionais para alimentar as cadeias do gado e frango, inclusive a aquicultura e fazer com que o país deixe de importar grande parte dos alimentos consumidos.
Dirk Hanekom realçou que as infra-estruturas da Fazenda Pungo a Ndongo são boas para projectos agrícolas e representa um ponto forte da intenção de estabelecer parcerias público-privadas, mas contando com o envolvimento das comunidades e com um incentivo capitalista de criação de rendimento, mas numa situação em que haja um sistema de valor que é comum por parte de todos os parceiros.

Obtenção de mais divisas e culturas de rendimento
Por seu turno, o director executivo do Grupo Empresarial “ Agri All África”, realçou as condições de produção que existem e defendeu maior envolvimento de parceiros no país em empreendimentos agrícolas, como é o caso da Fazenda Pungo a Ndongo com 33 mil hectares.
Paralisado desde 2016, o empreendimento agrícola construído com fundos do Estado em 2006, possui oito silos com capacidade para 9 mil toneladas de milho e uma moagem que processa cerca de três toneladas de fub de milho por dia
“O Grupo Agri All quer investir em Malanje na Fazenda Pungo a Ndongo, mas temos que estudar com o Governo essa possibilidade, visto que é uma propriedade do Governo e que já possui condições de infra-estrutura, água e energia e outras para se poder desenvolver projectos viáveis do ponto de vista económico”, disse, acrescentando que para tal requer um processo de negociação com o objectivo de produzir culturas de rendimento para exportação e obtenção de divisas. De recordar que, o Grupo Empresarial “ Agri All África, tem uma vasta experiência a nível do sector agrícola em toda a África subsaariana e opera já em 45 países.