A Empresa Nacional de Diamantes de Angola (Endiama) pretende, a partir de 2019, desenvolver projectos agro-pecuários nas regiões onde são desenvolvidas actividades de exploração diamantífera, com vista a criação de mais postos de emprego e garantir a auto-suficiência alimentar.
A informação foi avançada, na passada quarta-feira, em Saurimo (Lunda Sul), pelo presidente do Conselho de Administração da Endiama, Ganga Júnior, tendo realçado que a empresa tenciona com esta iniciativa, fomentar igualmente o sector agro-industrial, visando incentivar a produção agrícola na região.
Citado pela Angop, o gestor disse que a iniciativa enquadra-se no programa de responsabilidade social da empresa e na estratégia de alargamento das fontes de arrecadação de receitas e fez saber que estudos estão a ser desenvolvidos para se definir prioridades e os tipos de cultura a serem produzidos na fase inicial.
Segundo o gestor, as empresas diamantíferas não devem apenas limitar-se na exploração de diamantes, mas sim, apostar em projectos que permitam a criação de empregos e contribuir na diversificação da economia, nas regiões onde operam.
Por outro lado, informou que a Endiama vai igualmente apoiar projectos de electrificação nas regiões diamantíferas, bem como na construção de escolas, unidades sanitárias, reabilitação das vias secundárias e terciárias nestas regiões.

Fraco desenvolvimento
O PCA da Endiama reconheceu haver fraco desenvolvimento nas regiões onde são desenvolvidas actividades de exploração diamantífera.
Por este facto, Ganga Júnior disse, em breves declarações à imprensa, após a entrega de bens diversos à população da aldeia do Ngando, que vai trabalhar com as empresas diamantíferas, que operam nas Lundas Norte e Sul, no sentido de melhorarem os seus programas de responsabilidade social e participar activamente no processo de desenvolvimento das circunscrições.
Considerou ser fundamental que os níveis de produção das empresas diamantíferas sejam reflectidos no índice de desenvolvimento das regiões onde se explora a “pedra preciosa”.
Acrescentou que as empresas diamantíferas não devem apenas centrar-se na exploração e extracção dos diamantes, mas também, criar memorandos de cooperação com os governos provinciais, ajudando com financiamento na implementação de alguns projectos sociais.
A população da aldeia do Ngando recebeu bens alimentares, motorizadas e fármacos da Endiama, no âmbito do seu programa de responsabilidade social.

Receitas brutas
Até Agosto, as receitas diamantíferas no país atingiram, em quatro meses, dez mil milhões de kwanzas com a venda de mais de cinco milhões de quilates ao preço médio de 126,65 dólares, de acordo com dados de um relatório do Departamento da Auditoria Fiscal da Direcção da Tributação Especial do Ministério das Finanças noticiados pela Angop.
A agência de notícias afirma que o valor mais alto foi registado no mês de Junho, com a arrecadação de mais de três mil milhões de kwanzas com a venda de um milhão de quilates, ao preço médio de 129,42 dólares.
Os números estão relacionados com a nova política de comercialização adoptada pelo Ministério dos Recursos Minerais e Petróleos e incluem novas áreas de prospecção e exploração de diamantes.

Lunda Sul vai ganhar fábrica de lapidação
Uma fábrica de corte e lapidação de diamantes será instalada, a partir de Fevereiro de 2019, em Saurimo (Lunda Sul), informou, na passada quarta-feira, o administrador executivo da Empresa Nacional de Comercialização de Diamante de Angola (SODIAM), Neves Silva.
Numa primeira fase, segundo noticia a Angop, o projecto terá a capacidade de processar quatro quilates de diamante bruto/mês, a construção da unidade fabril enquadra-se no âmbito do plano estratégico da SODIAM, do quinquénio 2018/2022.
Falando no final do encontro que a delegação da SODIAM e parceiros do projecto que mantiveram com o governador provincial da Lunda Sul, Daniel Neto, o administrador fez saber que as obras terão início em Fevereiro de 2019 e terminam em Agosto do mesmo ano, que contribuirá para geração de emprego para a juventude.
Neves Silva disse que a unidade terá a maior capacidade instalada a nível do país, e a construção da infra-estrutura está orçado em 10 milhões de dólares.
Sublinhou que a existência da mina de Catoca, influenciou a implementação da fábrica na Lunda Sul, uma vez que foi já aprovado uma política de comercialização dos diamantes. Entretanto, as empresas de lapidação têm uma quota definida, e a província em termos de produção representa 80 por cento de volume e 70 em valor.
Pólo industrial
A par da construção da fábrica de corte e lapidação de diamantes, o responsável avançou que consta do mesmo projecto, a implementação de um Pólo Industrial de Desenvolvimento, numa área de cinco hectares, com a previsão de alargar o espaço, uma vez que a ideia base é ter um centro de formação, um hotel da Endiama e outros serviços integrados como bancos e repartições fiscais da AGT.
Fez saber que o Pólo Industrial não terá apenas fábricas de lapidação, mais também outras indústrias agregadas a actividade diamantífera, uma vez que a ideia é ter um “cluster diamantífero” neste projecto.
Explicou que a empreitada será feita em regime de parceria entre a SODIAM e as empresas chinesas CBRITEC e PERFECT WEALTH Ltd, e será erguida, nas mediações da Sociedade Mineira de Catoca, atendendo a relação custo/benefício.