Mais oito grandes empresas entrarão em funcionamento no pólo agro-industrial de Capanda (PAC), na província de Malanje, a partir do primeiro trimestre deste ano, para se juntar às cinco já existentes num investimento avaliado em 194.722 mil milhões de kwanzas.
O facto foi anunciado recentemente naquela localidade pelo presidente do Conselho de Administração da Sociedade de Desenvolvimento do Pólo Agro-industrial de Capanda (SODEPAC), Carlos Fernandes. A entrada em funcionamento destas novas firmas decorre de um contrato celebrado o ano passado entre a Sodepac e as referidas empresas.

O também engenheiro que falava à margem de uma visita de campo realizada na fazenda Biocom revelou que tratam-se também de empresas âncoras cujas tecnologias agrícolas a aplicar reforçarão o relançamento da produção já existente, acrescentando que elas poderão ocupar uma área aproximadamente de 150 mil hectares para a produção agrícola.

Explicou por outro lado, que as empresas âncoras detêm de igual modo capacidade humana, financeira e de gestão a fim de explorarem verticalmente toda cadeia produtiva, que comece desde a produção do milho, passa pela sua transformação em rações alimentares e termina na criação e abate de aves assim como a respectiva colocação no mercado.

“Uma dessas empresas por exemplo é a Companhia de Bioenergia de Angola (BIOCOM) que está a desenvolver uma cadeia produtiva dedicada ao cultivo de cana-de-açúcar, partindo daí para o seu processamento com vista à obtenção de diferentes produtos como o açúcar, etanol e a energia eléctrica”, frisou.

Além disso, paralelamente às empresas âncoras o PAC proporcionará ainda oportunidades de investimento para outros tipos de actividade complementar. Entre estas destacam-se os moinhos de calcário, as unidades de distribuição de sementes, processamento de arroz, armazenagem e distribuição de hortícolas e frutícolas entre outras. Neste momento funcionam no referido pólo cinco empresas nomeadamente a Biocom, Pedras Negras, Kizenga, Pungo Andongo e a Companhia de Alimentos de Malanje (CAM).

Metas preconizadas
Carlos Fernandes esclareceu que esta acção decorre do seu plano de negócios perspectivado para o período 2013-2017 cujos objectivos visam implantar e desenvolver o PAC numa agricultura que integra o agro-negócio e o desenvolvimento socioeconómico das famílias capazes e capacitar as cadeias produtivas e um pólo industrial que sirva de modelo para as outras regiões do país.
Segundo ele, um outro propósito assenta em criar políticas de investimento, culturas alimentares e incentivar o consumo directo das populações, tirando proveito das grandes potencialidades destas regiões. “Sabemos que estamos numa fase em que o Programa Nacional de Desenvolvimento (PND) preconiza que o sector do agro-negócio seja o alavancar da diversificação da economia”, sublinhou.

Para tal, aquele responsável reconheceu que é necessário ser-se mais eficiente e apresentar recursos mais palpáveis com técnicas adaptáveis à agricultura tropical e que permita com que os produtos nacionais competem de igual modo com os importados.

Combate à seca
Questionado sobre a problemática da seca que assola algumas regiões do país, o gestor assegurou que a Sodepac tem em estudo um vasto programa de irrigação para o PAC com vista a fazer face a este flagelo mas sem pôr em causa a produção de energia. Carlos Fernandes revelou ainda que a Sodepac já investiu mais de 9.736 mil milhões de kwanzas.

Umas das principais responsabilidades da Sodepac é o apoio às empresas candidatas, a começar pela fase de selecção. Com isso, só serão aceites no PAC projectos devidamente estruturados e empresas capacitadas para efeito.
A criação do PAC decorre de uma decisão do Executivo angolano no âmbito da sua estratégia de desenvolvimento que visam alavancar a produção nacional.