As fábricas do ramo têxtil construídas com fundos públicos e arrestadas pela Procuradoria Geral da República, nas províncias de Luanda, Benguela e Cuanza Norte, começaram a ser entregues formalmente ao Estado, na última terça-feira.
O processo de entrega formal iniciou-se com a unidade da Textang II (Luanda) e África Têxtil na província de Benguela.
Hoje, sexta-feira será entregue a SATEC, localizada na vila do Dondo, província do Cuanza Norte.
Em Junho, a PGR já tinha avançado com o arresto dessas unidades, face a irregularidades no processo de privatização e o incumprimento, pelos novos proprietários, das cláusulas contratuais, nomeadamente no capítulo financeiro.
Na altura, a directora do Serviço de Recuperação de Activos da PGR, Eduarda Rodrigues, disse que o processo, agora desencadeado, fazia todo o sentido, já que o Estado era o único a arcar com os custos.
“Eles beneficiaram de uma linha de crédito, com uma garantia soberana e nunca pagaram essa dívida, quem pagava mensalmente à banca internacional era o Estado angolano” sublinhou a jurista, referindo que há mais de um ano que o tema era discutido, mas sem solução.

Retorno ao Estado

Adiantou que havia a necessidade de se tomar uma atitude, “pois não podíamos continuar a assumir responsabilidades que, aparentemente, não deveriam ser do Estado. Assumimos que, efectivamente, a propriedade dessas fábricas tem que passar mesmo para a esfera jurídica do Estado, que assume essa responsabilidade desde o início”, disse.
Eduarda Rodrigues referiu que com o retorno deste património para o Estado, este vai rentabilizá-lo para poder ter o reembolso dos valores que vem pagando à banca internacional.

Feira de negócios

Angola acolhe de 8 a 10 de Maio de 2020, uma Feira Internacional de Negócios da Moda, para promover o desenvolvimento do sector têxtil e incentivar a criação de micro indústrias do sector.
Segundo a mentora do projecto, Claudia Mittle, pretende-se com o evento, que os jovens criadores com competências e qualificações tenham oportunidade para mostrar os seus trabalhos às autoridades e às comunidades, criando empresas para gerar empregos.
Para tal, anunciou a promotora à Angop, devem participar da feira empresas experientes na fabricação de roupas, que darão possibilidade de formação aos estilistas.
“Existem no país shows e agências, mas a parte comercial ainda não está a 100 por cento, algo que queremos mudar com esse certame. É do nosso interesse apoiar os artistas, no sentido de ampliar o mercado da moda e a arte em Angola”, expressou.
O projecto prevê estabelecer um espaço privilegiado, para a promoção da indústria têxtil, diversidade de partilha de ideias, lançando novos talentos no sector e criando parcerias com estilistas internacionais, entidades públicas e privadas.