Os Estados Unidos de América (EUA) têm disponível 60 mil milhões de dólares para as iniciativas privadas em África, incluindo Angola onde pretende apostar em vários sectores fornecendo bens e serviços de alta qualidade por via de processos transparentes. A informação foi avançada esta semana, em Luanda, pelo secretário de Estado adjunto norte-americano, John Sullivan.
O responsável, que falava durante um almoço com a comunidade empresarial da Câmara de Comércio Estados Unidos/Angola (USAAC) e a Câmara Americana em Angola (AmCham-Angola), ressaltou o interesse em expandir os laços económicos e comerciais entre as duas economias.
John Sullivan sublinhou que o combate à corrupção em curso no país é um sinal positivo para o mundo exterior e poderá atrair mais investidores americanos.
Acrescentou também que a aprovação da Nova Lei de Investimento Privado proporcionará um melhor ambiente de negócios.
“As empresas americanas ainda enfrentam barreiras comerciais em Angola, mas queremos intensificar as relações económicas através do Acordo Quadro de Comércio e Investimento para manter os níveis de negociações”, apontou.

Parceria estratégica


Segundo disse, Angola qualifica-se para os investimentos americanos por ser o terceiro maior parceiro estratégico comercial
a nível da África Austral.
Assegurou ainda que o seu país está disposto a trabalhar em conformidade com a linha de crédito de 3,7 mil milhões de dólares cedidos pelo Fundo Monetário Internacional FMI que visa apoiar a política de reforma local.
O governo dos EUA vai apoiar o investimento americano em África e acelerar o crescimento a nível da classe média tendo como prioridade as oportunidades de emprego para a juventude.
Afirmou que de 2001 a 2017 o investimento americano anual no Continente Africano cresceu de nove para 50 mil milhões de dólares criando novas oportunidades de emprego, tornando-se no principal investidor privado em economias africanas.
“O nosso compromisso é tornar África menos dependente com o objectivo de que até 2025 cerca de 300 milhões de famílias possam ter receitas próprias”, defendeu John Sullivan.

Produção e exportação


Por seu turno, o presidente da AmCham-Angola, Pedro Godinho, sublinhou a necessidade da aposta em sectores fora do sector petrolífero com destaque para a agricultura, pescas, construção, finanças, turismo, energia e transportes.
“Desde 2017 que Angola se tornou um destino mais atraente para negócios”.
Referiu que a AmCham-Angola está empenhada em reforçar os laços comerciais entre os dois países através de missões empresariais, acrescentando que Angola está geograficamente bem posicionada para se tornar num grande produtor e exportador de
bens e serviços a nível da região.
Dados a que o JE teve acesso, indicam que as trocas comerciais entre Angola e EUA atingiram 3,4 mil milhões de dólares no final de 2017, sendo que Angola exportou produtos avaliados em 2,6 mil milhões de dólares e os Estados Unidos da América cerca
de 800 milhões de dólares.
As empresas norte-americanas têm uma forte presença no mercado local, sobretudo no sector petrolífero como a Chevron, ExxonMobil, Esso e Cobalt.