O ministro da Agricultura e Florestas, Marcos Nhunga, destacou, em Malanje, o empenho que os empresários e camponeses locais têm demonstrado nas actividades relativas à produção de bens.
Segundo disse, Malanje, depois do Cuanza sul, é uma província com um sector empresarial forte na produção de cereais, prova disso, frisou, está na quantidade de milho que já foi semeado, bem como nas áreas que estão em preparação, para além da quantidade de arroz que está semeado.
Marcos Nhunga destacou ainda o empenho que está a ser desenvolvido no sector da agro-pecuária e como referiu, “a continuar como estamos agora, podemos perspectivar uma boa campanha agrícola, interagindo com todos os empresários, ouvindo as dificuldades que têm e encontrar soluções
para esses problemas.
“Acredito que se as chuvas continuarem como estão até agora com essa regularidade, podemos contar com um bom ano agrícola a nível desta região”, augurou.

Estratégia
Sobre os desafios do Ministério da Agricultura e Florestas para os próximos cinco anos, o governante reafirmou as políticas viradas ao alcance da auto suficiência alimentar e em paralelo trabalhar naquelas culturas que podem fazer com que o país tenha algumas divisas.
Realçou o trabalho que está a ser desenvolvido a nível do país, que tem haver com o relançamento das culturas de café,
cacau, dentre outros.
“Vamos agora nos engajar também fortemente com o sector empresarial para a cultura do algodão, porque achamos que Angola já devia ter auto-suficiência alimentar”, disse.
Segundo o ministro, no quadro da auto-suficiência alimentar estão a ser priorizadas as culturas básicas que integram a dieta alimentar da população, ou seja, a cesta básica.
Neste particular, destacou, a produção de milho, mandioca, batata-doce, inhame, soja e feijão.
Quanto os cereais, Marcos Nhunga disse que o milho e a soja vão ajudar a promover a pecuária, principalmente no segmento da avicultura e suinicultura.

Apoios necessários
O ministro da Agricultura e Florestas referiu da necessidade de se rever a situação dos combustíveis para se diminuir o custo de produção agrícola, tornando o sector cada vez mais competitivo.
Segundo argumentou, para que haja maior interesse no investimento privado, quer nacional ou estrangeiro, o Estado tem que fazer um trabalho sério na criação de condições para que “haja água para facilitar o sistema de trabalho a nível da
agricultura intensiva”.
Para o governante, “a maior parte das fazendas todas utilizam sistema de irrigação e unidades de conservação de grãos, tudo à base de geradores o que é extremamente dispendioso”, observou, depois de frisar que é um trabalho que “nós a nível do sector e o Executivo temos de fazer investimento sério nesse aspecto”.
Destacou igualmente as estradas secundárias e terciárias que vão facilitar o escoamento da produção.

Visitas
No município de Cahombo, o ministro Marcos Nhunga visitou a fazenda “Luckyman Angola Desenvolvimento”, sob gestão chinesa, considerada neste momento, a maior fazenda a nível da província.
O projecto agro-pecuário tem mais de dois mil hectares de mandioca, para além de 800 hectares de arroz plantados bem como 1.500 hectares de fruteiras.
A fábrica de processamento de mandioca foi considerada pelo titular da pasta da Agricultura como benéfica para o mercado nacional, numa altura em que brevemente a iniciativa empresarial poderá se destacar na fruticultura. A previsão é de produzir numa extensão de 3 mil hectares.
A fazenda Luckyman Angola Desenvolvimento gasta aproximadamente 500 mil litros de gasóleo por mês, para manter a máquina funcional.
“É extremamente dispendioso. Além disso, a fazenda está a reabilitar as estradas secundárias e terciárias na região, o que é muito bom para o desenvolvimento socioeconómico”, disse.

Empresário agrícola quer
liderar mercado africano

A fazenda Lucky Man Angola Desenvolvimento Lda está projectada para ser a maior de África. De acordo com o seu presidente executivo, Paulo Xiong, neste momento, estão preparado cerca de 2.500 hectares, para o cultivo da mandioca, que depois de colhida será transformada em fuba.
A fábrica vai produzir 25 toneladas de fuba por dia, para o efeito vão ser necessárias 300 toneladas de mandioca para a sua transformação.
Já foram efectivadas todas as análises laboratoriais e nesse momento, está em curso todo um trabalho que visa a sua melhoria para propiciar o seu consumo e quando estiver concluído, vai ser comercializada não só no mercado local, mas como também noutras regiões do país.
A fazenda não produz só mandioca. Neste ano agrícola, foram preparados 800 hectares para o cultivo de arroz.
No ano passado foi feita a experiência no referido campos cujo resultados motivaram o relançamento da cultura.
Paulo Xiong precisou que da experiência realizada no ano passado, foram produzidas 300 toneladas que foram utilizadas internamente.
A província de Malanje é detentora de excelentes condições para a produção agrícola. Tais elementos motivaram a implantação daquela unidade de produção na região que de acordo com o nosso interlocutor, já pensam na expansão da sua actividade para outras províncias do nosso país.

Mecanização agrícola
é o grande desafio do IDA

director-geral do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA), David Tunga, considerou a mecanização pelo país como sendo um grande desafio para o sector, numa altura em que grande parte da produção que é feita no país é baseada na agricultura recurso a meios como enxadas e catanas.
Em algumas regiões do país disse, já vão sendo usadas charruas de tracção animal, mas, acrescentou, “isso ainda representa um grande desafio para nós. A nossa visão e aquilo que são os grandes objectivos do sector da agricultura, é trabalhar na transformação da agricultura familiar para uma agricultura de grande dimensão”, realçou.

Processamento da mandioca
O responsável apontou existirem problemas no que toca à transformação e processamento da mandioca.
Revelou a existência de duas fábricas do género no país, o que não é suficiente.
“Temos campos com dimensões bastante significativas onde estamos a produzir mais de dois mil hectares, mas também estamos a trabalhar no sentido de introduzirmos sobretudo nas províncias produtoras de mandioca pequenas e médias indústrias de transformação da mandioca, porque o processamento deixa de ser o elo mais fraco do processo de comercialização da mandioca”, destacou.
A partir do próximo ano, assegurou, o sector vai procurar expandir “esse tipo de unidades para as regiões como Uíge, Cuanza Norte, Bengo e o Leste do país, sobretudo a Lunda Sul e o Moxico, onde estamos a trabalhar no sentido de aumentar a produção”.
Nas províncias de Malanje, Uíge, Bengo e Cuanza Norte, a mandioca é uma das culturas atacadas pela virose e pela podridão.
Para fazer face à referida situação, o IDA está a implantar unidades de investigação agronómica para produzir “material livre dessas doenças”, no sentido de avançar com o processo de reconversão vertical da mandioca.