Angola perde anualmente, em média, cerca de 106 mil hectares de florestas naturais, devido a exploração anárquica, seca, queimadas descontroladas, fabrico de carvão e mineração.

Dados do Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF), órgão adstrito ao Ministério da Agricultura e Florestas, desmonstram que essa perda representa milhões de dólares para a economia, por culpa de exploradores ilegais, com custos adicionais para o meio ambiente e social da população.
O documento do IDF mostra que embora o nível de desflorestação do país ser baixo, estimado em 0,2 por cento, comparado com outros países da região, “os riscos de degradação e perda das florestas naturais e do seu valor económico, social e ambiental são eminentes, com todas as consequências nefastas daí decorrentes”.
No mínimo, um total de 370 plantações desaparecem no país anualmente, a uma taxa de 0,25 por cento, com a desflorestação descriminada, com realce para aquelas acções viradas para o comércio ilícito de madeira.

Províncias afectadas

Em termos de classificação da desflorestação ou degradação, a maior percentagem de incidência das áreas em alerta amarela (áreas críticas), vermelha (mais críticas) recai para as províncias de Luanda, Huambo, Huíla, Cunene e Cuanza Sul.
Os cinco municípios do país, que apresentam a maior percentagem de desflorestação, são Longonjo, Caala, Mungo, Tchinjenje, na província do Huambo, e Cacuaco, em Luanda.
Entre as áreas consideradas mais críticas (com sinalização vermelha) constam-se sete municípios: Ekunha, Londuimbali, Bailundo, Tchikala-Tcholohanga (Huambo), Cassongue (Cuanza Sul) e Ombadja (Cunene).
Face a isso, indica o documento do IDF, é preciso, com grande celeridade, prever e estabelecer plantações florestais de grande escala, para aliviar a pressão sobre as florestas naturais, satisfazer a crescente procura interna em produtos e sub-produtos florestais e aproveitar as oportunidades de desenvolvimento da indústria e do mercado interno e externo do sector. Os resultados do Projecto de Avaliação Espacial das Florestas mostra que este fenómeno tem uma abrangência nacional, com particular incidência nas províncias de Luanda, Huambo, Huíla, Bié, Benguela, Cunene, Cuanza Sul e Namibe.

Estratégia

Para mudar o curso da situação, a estratégia do IDF incide em repovoar 50 mil hectares de plantações florestais com fins diversos em cada 10 anos.
O relatório, que se baseou em 15 milhões de habitantes, estima que há um consumo per capita de 0,05 metros cúbicos de madeira por pessoa/ano, o país apresenta uma procura interna de 750 mil metros cúbicos/ano. A capacidade de produção actual de florestas naturais está estimada em 100 mil metros cúbicos/ano, insuficiente para suprir a demanda nacional.
A maior parte dos bens industriais de origem florestal, incluindo, o papel que antes era produzido são importados, factor onde reside uma das importâncias das plantações florestais industriais e comerciais, na cobertura do défice no pavimento de matéria-prima para o desenvolvimento industrial, e diminuição das importações de produtos manufacturados e da pressão sobre a floresta natural para a produção de madeira, lenha e carvão. O consumo doméstico de lenha e carvão representa cerca de 56,8 por cento do consumo de energia total, seguido do petróleo iluminante com 41,7.
Para mudar o cenário, o programa para povoar e repovoar estima um total de 92,5 mil dólares, para cobrir custos correntes. Os custos operacionais com o levantamento de novas áreas para o repovoamento estão em um milhão de dólares. O objectivo é iniciar o estabelecimento de florestas comunitárias com espécies exóticas e autóctones de crescimento rápido para a obtenção de produtos florestais lenhosos.
A nível nacional, existem três fábricas de transformação de madeira, sendo duas em Luanda e uma em Benguela. O Ministério da Indústria licenciou 84 processos para aderirem ao negócio.