A província do Bié está com dificuldades no abastecimento de gás butano há oito meses por razões actualmente desconhecidas, afirmou o agente oficial
de venda de gás, Alfredo Ecolelo .
Alfredo Ecolelo, disse que os revendedores enfrentam nos últimos meses dificuldades na aquisição de gás a partir das províncias de Benguela e Cuando Cubango. Segundo a fonte, a província do Cuando Cubango tem uma unidade de enchimento de gás que entretanto se mostra incapaz de atender a crescente demanda registada a nível da província do Bié, facto que tem deixado os grandes empresários do ramo, de mãos atadas no que tange ao atendimento e satisfação do consumidor final.
A escassez do produto no mercado, tem levado a que determinados agentes comerciais optem por fazer a comercialização fora do circuito normal e praticando preços muito superiores aos estipulados, situação que preocupa e tem merecido repúdio da população dos vários municípios que integram a província.
A falta de gás no município do Cuito (principal depósito) tem provocado uma situação de quase inexistência total em municípios mais afastados como Chitembo, Cuemba e Nhârea. Actualmente um número bastante reduzido de agentes comerciais recebe um máximo de duzentas garrafas semanais. A solução apresentada pelo agente revendedor de gás para alterar o quadro e evitar futuras situações semelhantes, passa por uma concertação entre a Sonagás e a Sonangol no sentido de usar o caminho-de-ferro de Benguela para a transportação do gás para as províncias que fazem parte do corredor do Lobito, pois que a transportação tem constituído um dos grandes entraves na oferta, devido ao reduzido número de operadores de transportes no mercado. O quadro é desolador para comerciantes e consumidores e provocou já o encerramento de algumas agências por falta de fornecimento do produto, o que provoca a diminuição da capacidade de pagamento aos trabalhadores e parceiros.

População chega as 5 da manhã

Diariamente é visível a circulação de pessoas em motorizadas vulgo Kupapata e com garrafas de gás à cabeça, na busca desenfreada por um local onde se esteja a comercializar o produto em falta .
Milagre Luís, de 25 anos de idade estudante universitária da escola superior pedagógica, aclarou que possui duas garrafas de gás em casa e encontra muitas dificuldades na compra deste produto nos últimos meses por razões desconhecidas, informou.
Acrescentando, a estudante universitária disse que para conseguir o produto é preciso levantar as 5 da manhã para ocupar o lugar na agência ou outro local de venda de gás, tendo muitas vezes que percorrer longas distâncias .
As enchentes nas agências de venda deste produto também são visíveis no município do Cuito e nas zonas periféricas desta localidade.
As agências localizadas no centro da cidade e nos bairros do Chissindo, azul, militar e comuna do Cunje, estão constantemente cheias de compradores com botijas perfiladas a espera de camiões para abastecer. A espera, muitas vezes prolonga-se por longas horas.
Em Março do ano corrente, a Sonangol anunciara através do seu administrador executivo Edson dos Santos em Houston (Estados Unidos da América) que Angola havia atingido a auto-suficiência em termos de produção de gás, fruto dos níveis de produção atingidos pelo projecto Angola LNG. O responsável falava à margem da “Ceraweek”, um dos maiores fóruns mundiais no domínio dos petróleos e gás, com uma delegação chefiada pela presidente do Conselho de Administração, Isabel dos Santos.