A X Feira Agro-pecuária da Huíla aberta, na passada quarta-feira (7), no Lubango (Huíla), pelo ministro da Agricultura, Afonso Pedro Canga, arrecadou nos primeiros e segundos dias de realização do concorrido leilão de gado bovino, caprino e suíno de raça e cavalos, cerca de 40 milhões de kwanzas.

Esta performance motiva os ganadeiros da região a apostar na criação de animais de alta qualidade com realce para o gado bovino das raças Bonsmara, Brahman, Gir, Bóer, Nelore, Simba e Brangus. A surpresa durante a comercialização foi do gado autóctone melhorado através do cruzamento de touros credíveis.

Os clientes mais notáveis da feira que decorre de 7 a 11 do corrente, no âmbito das Festas da Nossa Senhora do Monte, são de Luanda, Bié, Kwanza-Sul, Benguela e Huambo. Carlos Francisco, criador de gado da província do Bié, considerou o leilão de animais do Lubango a melhor oportunidade para comprar bovinos de boa raça.

Afirmou que “viemos de uma província mártire que, além de perdas irreparáveis de vidas humanas e infra-estruturas agro-pecuárias e outros, teve enormes prejuízos no seu rebanho. Quantidades consideráveis de cabeças de gado bovino, caprino e outros animais desapareceram”.

Carlos Francisco explicou que neste momento o Executivo e os empresários agro-pecuaristas desenvolvem acções de repovoamento animal em vários municípios e comunas da província. “Este processo faz sete anos e os resultados são positivos. Mas é preciso continuar o processo até haver excedente animal considerável”.

Estão expostos mais de 500 animais pertencentes a 25 fazendas produtoras das províncias da Huíla, Namibe e Cunene, assim como 18 empresas de prestação de serviços no sector agro-pecuário. Relativamente aos participantes estrangeiros, marcam presença os expositores da Namíbia, África do Sul, Brasil e Argentina.

A organizadora do evento colocou à disposição mais de 450 animais para venda pública. A inovação desta edição, tem a ver com a exibição de diverso equipamento moderno de mecanização agrícola fabricados em vários pontos do mundo, incluindo as novas técnicas de melhoramento genético, nutrição animal, sanidade e maneio.

Algumas fazendas estão a mostrar o seu potencial tecnológico no domínio do cultivo, sistema de captação e distribuição de água neste momento de escassez do precioso líquido em consequência da prolongada estiagem registada nas zonas de criação animal, técnicas de cultivo e amostras de cultura da região.

Jornadas
Há promoção das V Jornadas Internacionais de Bovinicultura de Carne em que serão prelectores doze especialistas angolanos, sul-africanos, cubanos e argentinos. As jornadas visam capacitar os fazendeiros sobre o uso das novas tecnologias na gestão das manadas e fazer com que os estudantes de Agronomia possam aliar a teoria à prática.

Os estudantes do Instituto Superior Politécnico da Huíla, Faculdade de Veterinária do Huambo e do Instituto Médio Agrário do Tchivinguiro vão analisar temas relacionados com a organização de fazendas, manejo reprodutivo de bovinos de corte, planificação da exploração pecuária à implantação de embriões e outros.

Apoio do Executivo
O ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Afonso Pedro Canga, garantiu, aos criadores de gado de alta selecção da região Sul “o apoio do Executivo na criação de mais infra-estruturas importantes para o progresso e desenvolvimento do sector agro-pecuário”.

Afonso Pedro Canga informou que foram já criadas as condições para a construção de um matadouro industrial nos arredores do Lubango. O empreendimento justifica-se tendo em conta ao potencial animal da região.

“Garanto que o sector elaborou já o projecto e, agora, segue a tramitação legal para que seja aprovado pela entidade competente de modo que a Huíla tenha uma estrutura de qualidade e à dimensão da província”, disse.

O ministro considerou a feira “um evento que testemunha o empreendedorismo da classe empresarial desta região, a determinação do Executivo em continuar a contar com os seus empresários, daí a necessidade fundamental da realização de investimentos públicos para apoiar as iniciativas privadas”.

A feira Agro-pecuária da Huíla, afirmou, aumenta a qualidade todos os anos e de número de expositores. Isso representa estarmos num bom caminho que nos levará a aumentar a produção de alimentos para realizarmos os objectivos que nos propusemos até 2017.

Já o presidente da Cooperativa dos Criadores de Gado do Centro e Sul de Angola, Luís Nunes disse que a realização da feira do gado “tem o propósito principal da necessidade de se transformar o potencial pecuário da região em riqueza para os angolanos”.

O ciclo de desenvolvimento 2013-2017, acrescentou, deve ser determinante na alavancagem do sector, fazendo com que as políticas, os programas e projectos estabelecidos para a agro-pecuária sejam plenamente executados sem vacilações, para evitar o desánimo e frustração dos angolanos que aplicaram os seus recursos e dedicação à actividade pecuária.

Luís Nunes explicou que se pretende que as fazendas “sejam de facto unidades económicas de natureza empresarial, propiciadoras da criação de valores e de geração de empregos, ao invés de se constituir em locais de entretenimento e lazer. Por isso, já desfilam algumas espécies pecuárias de grande notoriedade e beleza animal.

Troca de experiências
A maior associação de ganadeiros, com nove anos de existência, alargou o número de filiados, tendo agora, além da Huíla, Namibe e Cunene, novos membros das províncias do Kuando-Kubango, Benguela e Kwanza-Sul.

A cooperativa, fundada em Maio de 2004, valoriza a troca de experiências e aperfeiçoamento das novas tecnologias para o aumento da produção agro-pecuária na região e contribui para a satisfação das necessidades alimentares do país.

Álvaro Fernandes, informou que a cooperativa iniciou a actividade com 15 associados e, depois de nove anos de actividade, a cifra de filiados aumentou para 52, assim como fazendas produtivas. A importação de gado de diversas raças da Namíbia, África do Sul, Botswana, Brasil e França favoreceu o surgimento de espécies de gado bovino como Bosmara, Samandra, Braman, Timbra e Anelor.
A reprodução de gado melhorado nas fazendas locais permitiu à redução dos custos inerentes à importação, desenvolvimento animal e repovoamento do gado. Os fazendeiros e pequenos criadores serão apoiados para a rentabilização dos animais e gerar bons rendimentos.

A cooperativa comercializou, nos últimos cinco anos, cinco mil cabeças de gado melhoradas, no quadro do programa de Fomento Animal em todo o país. A venda das raças Bosmara, Samandra, Braman, Timbra e Anelor permitiu arrecadar 15 milhões de dólares durante a realização, em cada ano, de leilões.