Yola do Carmo

Cerca de USD 700 milhões serão investidos pela empresa pública Ferrangol na primeira fase de um projecto que visa retomar a exploração de ferro e manganês nas províncias da Huíla e do Kwanza Norte, em minas inactivas há mais de 20 anos. Segundo o presidente do conselho da administração da Ferrangol, Diamantino Pedro Azevedo, o projecto aguarda aprovação por parte do governo e comportará três fases.

A primeira fase do projecto prevê a produção anual de cerca de 2 a 3 milhões de toneladas de concentrado de ferro para a alimentação de uma siderurgia a ser implantada, com capacidade de processar cerca 400 mil toneladas por ano. Esta etapa será desenvolvida com base nos depósitos secundários de Kassinga-Norte (mina localizada em Jamba Mineiro, província da Huíla).

Paralelamente a este projecto, a empresa dar continuidade aos estudos geológicos sobre os depósitos primários e secundários localizados em Kassinga-Sul, também na Huíla, e em Kassala Kitungo no Kwanza Norte.

“O objectivo a médio prazo a nível da exploração de ferro na localidade de Kassinga é atingir uma produção anual de cerca de 10 a 20 milhões de toneladas de concentrados ou paletes, tanto para o abastecimento da indústria siderúrgica nacional quanto para a exportação”, sustentou Diamantino Azevedo.

Em Kassala Kitungo, província de Kwanza Norte, caso os estudos confirmem o potencial existente, prevê-se também a exploração do minério de ferro e a instalação de uma segunda siderurgia no projecto. A capacidade de produção dependerá das reservas e das situações dos mercados internos e externos.

Ainda em Kassala Kitungo, devem ser realizados trabalhos de prospecção de manganês para a produção de ferroligas. A capacidade de produção também depende de estudos geológicos, mas, pelos conhecimentos actuais e pela situação do mercado internacional, a empresa está a trabalhar com valores aproximados a 250 mil toneladas de concentrado por ano.

“A nossa expectativa é de que o país se torne auto-suficiente em alguns produtos siderúrgicos, principalmente aqueles essenciais para algumas indústrias. Trata-se de um projecto de produção integrado”, salientou o presidente do conselho administração da Ferrangol. Além do abastecimento da indústria local, o mercado principal para a venda dos produtos intermediários (concentrados, peletes, ferro gusa, etc), é China, o maior importador mundial do sector, além de outros países da Europa e da Ásia.

Segundo Diamantino Azevedo, os investimentos do projecto vão surgir de várias fontes que se dedicam ao financiamento deste tipo de projectos, como entidades bancárias nacionais e internacionais, fornecedores de equipamentos, e sociedades de investimentos, ou seja, tudo será feito no âmbito de parceria público-privadas, a serem aprovadas pelo Governo.

De acordo com o presidente do conselho da administração, já há obras em andamento, que estão a cargo de diversas empresas angolanas e são apenas de criação de condições básicas. O objectivo é facilitar o início da actividade produtiva da empresa logo que o projecto seja aprovado.

O projecto deve vai criar de 10 mil novos postos de trabalho. A definição das iniciativas concretas da segunda e da terceira fase do projecto de retoma da produção mineira na Huíla e no Kwanza Norte dependem dos estudos em andamento e do desenvolvimento da primeira fase, ainda por ser aprovada.

A Ferrangol é uma empresa pública de dimensão nacional criada em 1981, tutelada pelo Ministério de Geologia e Minas, e é detentora dos direitos mineiros das concessões de Kassinga e Kassala Kitungo.