A Câmara do Comércio e Indústria de Angola (CCIA) pretende levar pelo menos 10 empresas nacionais ao “Fórum e exposição internacional de cooperação ambiental de Macau 2018”. O evento que vai realizar-se de 12 a 14 de Abril próximo, na China, é uma iniciativa do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), que visa juntar empresas a nível internacional com interesses em investir no sector ambiental. Segundo o responsável do Departamento de Apoio ao Sector Privado, José Rodrigues Alentejo, além de uma vasta exposição, o fórum vai contar com conferências aonde serão debatidas questões como a cultura ambiental, cidades limpas e inteligentes, assim como o fomento e oportunidade de negócios no ramo de reciclagem dos resíduos sólidos.

Falta de interesse
Revelou ao JE que até ao momento nenhuma empresa manifestou interesse em participar. “Nos últimos tempos tem sido um grande problema conseguirmos um número de participações de locais em encontros que envolvem deslocações ao exterior do país”, frisou.
José Alentejo explicou que o repto foi lançado a vários membros que constituem a sua agremiação e outras com as quais têm trabalhado, mas não
houve qualquer retorno.
Sublinhou que a organização do certame dispõe de incentivos que envolve quatro noites de alojamento e subsídio de bilhete de passagem até 625 dólares.
Afirmou que embora as questões ambientais serem ainda uma realidade nova local, mas há muitas oportunidades de negócio, know-how e tecnologia.
“Deitamos tudo que é papel, plástico que bem aproveitados podem fazer surgir indústrias de reciclagem a fim de garantir empregos”, assinalou.
Realçou que a Câmara do Comércio e Indústria de Angola tem feito aquilo que está ao seu alcance apesar da actual situação de crise que o país enfrenta, acrescentando que há uma “luz no fundo do túnel” com o novo Governo que já aprovou o Orçamento Geral do Estado (OGE), assim como a criação de vários programas de suporte ao empresariado nacional.
“Esperamos que haja uma abertura na prática de financiamento aos projectos privados, sobretudo para as pequenas e médias empresas”, disse.
José Alentejo revelou que estão em contacto com alguns bancos comerciais de modo a acordarem mecanismos de facilitação de crédito e outros projectos que vão permitir alavancar a actividade das firmas.

Crítica à banca
Acrescentou que no passado, a tendência da banca local era apenas apoiar as “ditas grandes” empresas, e essas tinham mais acesso a tudo e o Estado concentrava igualmente todo o negócio que girava em torno da economia, quer por via da comercialização de títulos de tesouro,
quer da dívida pública.
Assegurou que havia bancos que na sua carteira de crédito mais de 50 por cento era crédito ao Estado e não à economia o que não é correcto, uma vez a banca existe para potenciar as empresas, criar capacidade produtiva e captar poupança.
A meta da insituição é ter um relacionamento sustentável, mútuo e coeso com os bancos comerciais.
Disse que muitos projectos criados não passaram do papel e desafia alguma entidade que financiou em termos de quantidade de projectos em todo país.
Sobre o sucesso do empresariado local o sindico garantiu que há muitas falhas no comportamento. Disse mais adiante que a corrupção prejudicou de forma drástica o ambiente de negócios em Angola.
Fez saber que a CCIA tem na forja um projecto denominado “Angola inova” que visa apoiar iniciativas de jovens empreendedores e contará com financiamentos internos e externos.
Explicou que sendo a câmara recebe um subsídio mensal por parte do Governo, mas que não cobre todas as despesas, por isso recorre a outras fontes de receita como é o caso das quotas das empresas filiadas “e promovemos alguns cursos de capacitação”.
A Câmara do Comércio e Indústria de Angola tem mais de cinco mil membros e foi criada com o propósito de promover e reforçar as relações comerciais com o resto do mundo.