Os agentes revendedores de gás de cozinha, no Bié, defendem a necessidade de a Sonangol e outras entidades competentes a ajustarem o preço do gás de cozinha para aumentar o número de distribuidores e revendedores, na região.
A construção de infra-estrutura para enchimento de gás na comuna do Cunje, onde está a estação do Caminho-de-ferro de Benguela, pode reduzir o número de carência e dificuldades enfrentadas pela população do Bié.

Em entrevista ao JE, Alfredo Ecolelo, revendedor de gás há 10 anos, disse que a vizinha província do Huambo possui uma estação de enchimento de gás, por isso, a população não tem muita dificuldade para a sua obtenção.
Por isso, assegurou que apenas duas lojas fazem a distribuição de gás aos revendedores da província do Bié.
Afirmam que as duas lojas existentes na cidade e que fazem a distribuição de gás aos revendedores são insuficientes para atender o número de agências no Cuito e noutros municípios.
Alfredo Ecolelo possui duas agências de gás, uma no bairro periférico militar e outra dentro da cidade do Cuito, adiantando que cada agente revendedor tem o direito apenas a carregar cem garrafas, facto que impede o crescimento do negócio, sublinhou.
“Os únicos distribuidores existentes encontram dificuldades porque dependem também das garrafas pertencentes aos agentes revendedores”, lamentou.
Por isso assegura que, enquanto não for estabilizado o preço do gás para facilitar também os revendedores, as agências estarão fechadas, assegurou Alfredo Ecolelo.
Quanto à existência de gás no mercado paralelo, do Chissindo, o comerciante confirmou que “muitos agentes preferem vender no mercado paralelo para obter o lucro dos transportes, o pagamento dos impostos de consumo e dos funcionários.
Sublinhando que vai ser impossível encontrar agências revendedoras a comercializarem o gás no preço de 1200 kwanzas, porque muitos revendedores alugam os armazéns para a venda deste produto.
“Há sempre dificuldade na obtenção do gás, desde a justificação dos navios que atracam no mar, entre outras desculpas”, desabafou.
Inácio Agostinho, funcionário de uma outra agência distribuidora de gás, no Cuito, confirmou a dificuldade na obtenção deste líquido.
“Está difícil conseguir gás nos últimos dois meses no Cuito”, aclarou.
Para confirmar, o JE, fez uma ronda às agências revendedoras de gás, e estão todas encerradas há mais de um mês.
Diariamente é visível o número de pessoas à procura de gás de cozinha com garrafas vazias às costas, outros em motorizadas, percorrendo vários quilómetros na cidade do Cuito.
O mercado do Chissindo, é o local onde a população, no período da manhã, encontra a venda do gás de cozinha ,
ao preço de kz 2.500.00.
Por este facto, a população é obrigada a pagar pelo preço, pelo facto de não possuir outra alternativa para a obtenção do produto.
Para manter o contraditório, o JE tentou contactar a direcção da Sonangol, no Cuito, mas não teve sucesso.