A maioria dos directores financeiros das empresas em Angola (71 por cento) está confiante nos resultados das suas empresas, antecipando dessa feita, melhorias ligeiras ou significativas do ambiente de negócios. Um estudo da Deloitte sobre a saúde financeira das empresas assegura que, na projecção do próximo triénio, a estatística é ainda mais positiva, com 86 por cento dos inquiridos a mostrarem-se optimistas e a acreditarem que a performance financeira vai melhorar, de acordo com a 2ª edição do estudo “CFO Survey Angola”.
Quando questionados sobre as direcções estratégicas, os inquiridos acreditam que estas irão passar pela aposta na melhoria das operações da empresa e na experiência e fidelização dos clientes. A consolidação de operações, redução de custos operacionais, aumento da eficiência operacional e optimização de processos são actualmente as estratégias mais seguidas pelos directores inquiridos (71 por cento). Para apenas (7) por cento as operações não fazem parte do foco estratégico das suas empresas.
Segundo o sócio da Deloitte, Luís Alves, pelo segundo ano consecutivo, convida-se os directores financeiros das maiores empresas em Angola a partilhar as suas perspectivas sobre a realidade económica do país, os seus desafios e a sua visão para o futuro.
Apesar dos inquiridos estarem mais confiantes quanto às perspectivas de negócio das suas empresas, mantêm um grau saudável de cautela quanto ao futuro, continuando a focar a estratégia na melhoria das operações actuais e dando maior importância ao valor da marca e à angariação/retenção de clientes, face ao ano anterior.

Reinvestir na empresa
O estudo aponta que, apesar de alguma divergência quanto às prioridades levadas a cabo pelos directores, a maioria sugere o reinvestimento de fundos na empresa. Cerca de 30 por cento dos gestores elegem o investimento em nova capacidade (CAPEX) como primeira prioridade, 35 escolhem o pagamento de dívidas como segunda prioridade e 63 indicam a melhoria das operações actuais como terceira prioridade.
Este indicador, segundo Luís Alves, demonstra que os responsáveis apontam a reutilização dos fundos ou rendimentos na própria empresa e revela que estes acreditam no potencial das empresas nas quais operam. Para o gestor, este reinvestimento é feito tanto por via da melhoria de operações, do investimento em bens de capital, como na investigação e desenvolvimento.
Assim, as principais preocupações económicas dos chefes, segundo o estudo, estão relacionadas com a actual desvalorização do kwanza, a dificuldade de acesso a divisas e a produtos importados. No top 3 das preocupações económicas encontram-se o acesso a divisas para o pagamento de responsabilidades no exterior do país, o acesso a matérias-primas e outros factores de produção, e a volatilidade cambial.
Na opinião dos inquiridos também existem factores internos que criam obstáculos ao bom funcionamento das empresas. Mais de 30 por cento dos financeiros referem as insuficientes competências do staff de apoio como uma preocupação central.

Financiamento dispendioso
A generalidade dos financeiros espera que as taxas de juro tenham uma tendência decrescente até ao final de 2020. No entanto, a curto prazo, a maioria dos directores financeiros acredita que as taxas se manterão ou aumentarão, ao longo de 2018.
À semelhança dos anos anteriores, os financeiros consideram que os pedidos de novos financiamentos são excessivamente onerosos, com 31 por cento a afirmarem serem caros e 69 muito caros.
No que toca à obtenção de crédito, as opiniões divergem entre a facilidade (39%) e a complexidade (49%), sendo que apenas 6 dos inquiridos acreditam que a atribuição de crédito é moderadamente facilitada.
“O país debate-se com uma conjuntura de incerteza económica, aliada a um contexto de transição política, que faz com que a falta de divisas e de outros recursos sejam grandes obstáculos ao desenvolvimento do sector privado e levem à redução da actividade com todas as consequências inerentes”, conclui Luís Alves.