ADÉRITO VELOSO

O Governo, através da Unidade Técnica de Coordenação da Indústria de Cereais e de Panificação (UTICEP), está a levar acabo um programa de relançamento da produção da farinha de trigo a nível nacional. Inserida no plano de executivo até 2012, a medida visa reabilitar três maogeiras, nas províncias de Luanda, Benguela e Huíla para diminuir o peso das importações da farinha. Em declarações exclusivas ao JE, o coordenador da UTICEP, Jacinto Ucuahamba, disse que esta medida poderá contribuir bastante para o relançamento da indústria panificadora do país, que actualmente está a passar por momentos difíceis.

“Dentro do programa do Ministério da Geologia e Minas e Indústria está prevista a reabilitação da moageira Cerrangol, em Benguela, a Saidy Mingas, na Huíla, enquanto que para Luanda está prevista a reabilitação da moagem Kwaba, paralisada em 2005”, destacou Jacinto Ucuahamba, sem precisar a data do arranque das obras.

O coordenador da UTICEP anunciou, por outro lado, que o Ministério da Geologia e Minas e Indústria, em parceria com o Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, está a levar a cabo um estudo que tem como objectivo encontrar fórmulas capazes para o apoio às industrias transformadoras com matéria-prima, para que a produção deste cereal sirva em pleno os interesses do país. Ainda assim, Jacinto Ucuahamba reconhece que o país não terá uma produção na escala comercial que poderá satisfazer a demanda.

“Temos zonas do país com capacidade de produzir o trigo, mas não à escala comercial para sustentar a indústria de transformação. Deste modo, a solução passará pela importação do trigo para ser transformado localmente. Outra situação que se coloca é a questão dos portos, já que este tipo de cereal exige cuidados acrescidos e não pode ficar muito tempo a espera no alto mar pelo seu descarregamento. Esta situação passará também na agilidade destes portos, para que os atrasos não possam contribuir no custo no produto final”, sublinhou Jacinto Ucuahamba.

Moageiras

O dirigente destacou que as indústrias que apoiavam o sector da panificação faliram totalmente, devido à degradação das suas infra-estruturas, bem como a falta da produção do trigo a nível nacional.

“O país não está a produzir farinha de trigo. Todas as moageiras estão paralisadas e isto faz com que a indústria de panificação do país viva exclusivamente da importação da farinha de trigo”, salientou.

Para ele, a ausência da produção do trigo fez com que muitos importadores da farinha abrissem padarias para a venda do pão, o que prejudicou ainda mais os empresários do sector, já que dependiam exclusivamente dos fornecedores estrangeiros.

“Muitos dos panificadores nacionais não tiveram hipóteses e venderam as suas padarias ou pastelarias, outros ainda subalugaram as licenças e alvarás comerciais. Enquanto não se apostar na produção interna, o país ainda vai viver esta dependência excessiva do estrangeiro”, frisou o coordenador da UICEP.

Panificadoras de Luanda produzem diariamente 3,5 milhões de pães

Cerca de 559 panificadoras inscritas na Direcção Provincial da Indústria abastecem diariamente Luanda com três milhões e quinhentos mil pães, apesar da capacidade instalada ser de seis milhões. Este défice do pão produzido cidade instalada deve-se a vários constrangimentos, com destaque para o fraco fornecimento de energia eléctrica, abastecimento de água potável bem como ao avançado estado de degradação que algumas panificadoras.

As panificadoras estão distribuídas nos nove municípios de Luanda, nomeadamente: Cacuaco (34), Cazenga (95), Ingombota (34), Kilamba Kiaxi (106), Maianga (76), Rangel (40), Samba (64), Sambizanga (51) e Viana (59). Desse total, 35% estão paralisadas por avaria e apenas 3% se dedica à actividade de pastelaria.

“Se estimarmos que Luanda tem uma população de oito milhões de habitantes, estamos ainda muito longe de apresentar uma oferta a razão de um pão por habitante/dia, sabendo que o pão ocupa o lugar cimeiro na dieta alimentar da população. Actualmente e devido a várias questões, a produção real é de três milhões e quinhentos mil pães por dia de trezentos gramas, o que não é muito satisfatório”, explicou em declarações exclusivas ao JE, o director provincial da indústria, Carlos Botelho de Vasconcelos.

Moagens

A direcção provincial da indústria está a levar acabo um programa executivo do sector da indústria transformadora, que visa a reabilitação da Moagem Kwaba, uma das maiores da província e que actualmente se encontra paralisada. Com esta iniciativa, o Governo provincial pretende relançar as moageiras com vista ao fornecimento às panificadoras de farinha de trigo de produção local a um preço inferior ao da importação.

“A procura de farinha de trigo em Luanda se situa em 200 mil tonelada por mês. Na sua totalidade importada por empresários privados organizados em grandes grupos que em matéria de preços manifestam um comportamento monopolista. A situação tem-se agravado pelo facto das mesmas serem igualmente detentoras das panificadoras. Para estancar a subida do preço do pão, urge a tomada de medidas conjunturais e estruturais por parte do Estado para que as nossas moagens retomem a sua actividade normal”, augurou o director provincial da indústria.

Depósitos

Existem em Luanda 116 depósitos distribuídos nos nove municípios de Luanda, sendo que: o Cacuaco tem 5 postos de distribuição e venda de pão; Cazenga (14); Ingombota (39); Kilamba Kiaxi (5); Maianga (11); Rangel (5); Samba (14); Sambizanga (21) e Viana (7) que funcionavam na dependência das panificadoras e que serviam de abastecimento às populações.

A Direcção Provincial da Indústria tem também um programa de controlo e fiscalização bem como estabilizar o preço da farinha de trigo e do pão, para além da formação profissional do pessoal.

Mais detalhes sobre o assunto na edição impressa do Jornal de Economia & Finanças desta semana, já em circulação