ADÉRITO VELOSO

Com a aprovação, em 2007, da Lei de Energia Atómica e a promulgação do estatuto da Autoridade Reguladora de Energia Atómica (AREA), o acesso à tecnologia nuclear e a sua utilização ao serviço do desenvolvimento dos diferentes ramos da economia constam das prioridades do executivo angolano.

Apesar de Angola ter sido admitida como membro da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) em 1999, somente a partir de 2007 o país iniciou efectivamente com maior vigor a promoção e desenvolvimento das aplicações de ciência e tecnologia nuclear, através da implementação de vários projectos com a cooperação técnica da AIEA.

Através desta cooperação, foi elaborado o Programa Nacional Quadro do País (PNQ), que constitui a base de referência para o programa de cooperação técnica com a AIEA para o período de 2009-2011. Este plano foi desenvolvido depois de consultas de peritos da agência, junto dos organismos nacionais competentes. A base foi uma análise das necessidades do país em termos de ciência e tecnologia nucleares em relação aos planos nacionais relevantes e aos programas de desenvolvimento sectorial.

Necessidades nacionais

Desta consulta resultou um plano que tem como objectivo adequar as prioridades nacionais em termos de tecnologia nuclear ao desenvolvimento sustentável, tendo o foco das actividades de cooperação nas seguintes áreas: desenvolvimento de recursos humanos; consolidação da infra-estrutura legislativa nacional de protecção contra radiações; saúde pública; agricultura; controlo da poluição marítima e terrestre; aplicações das técnicas nucleares nas industriais; segurança nuclear e actividades de apoio geral adaptadas às necessidades nacionais.

Segundo o director-geral da Autoridade Reguladora de Energia Atómica (AREA), Pedro Lemos, o uso de matérias radioactivos têm dado bons resultados aos vários sectores da economia, destacando-se a indústria e a agricultura.

Actualmente, o Governo está engajado em vários projectos nacionais com a cooperação técnica da AIEA, onde se destaca: o fornecimento das capacidades de ensino, desenvolvimento dos recursos humanos, aplicação nos sectores da agro-pecuária e meio ambiente.

“Em Angola, o uso deste tipo de energia (radiação ionizante ou materiais radioactivos) tem trazido benefícios importantes em sectores da economia como a medicina, a agricultura, a indústria, em particular a indústria extractiva, a investigação, o ensino e o desenvolvimento tecnológico”, disse.

A AREA controla e autoriza toda actividade que envolve radiações ionizantes, destacando-se a cooperação técnica no processo de autorização de importação de fontes radioactivas para o uso nas empresas que operam em Angola no sector petrolífero e na extracção de diamantes. O apoio também abrange a aplicação de tecnológia nuclear no sector agrícola.

Para se montar um sistema de radiologia em qualquer hospital do país é preciso a autorização da Alta Autoridade Reguladora de Energia Atómica. A função é verificar se todas as condições requeridas pela AIEA estão observadas.

Indústria

Dados apontam que a indústria é a maior usuária das técnicas nucleares. Já que a facilidade de penetração da radiação em diversos materiais e a variação de sua atenuação com a densidade do meio que atravessa os feixes tornam o seu uso conveniente em medidores de nível, espessura, humidade, vazões de líquidos, e no controlo de qualidade de junções de peças metálicas (oleodutos, aeronaves e navios).

Em Angola, toda esta tecnologia está disponível, nas fábricas de papel, na indústria de bebidas, exploração do petróleo e dos diamantes, até nas empresas de energia eléctrica.

“Usa-se a tecnologia na indústria de papel, como medidor da espessura para garantir que todas as folhas tenham a mesma dimensão e na indústria de bebidas, para controlo de níveis de enchimento. Na exploração do petróleo, em processos para determinar o perfil dos solos, e distinguir a quantidade de água, gás e óleo existentes no material extraído; na refinaria de petróleo (onde é utilizado radioisótopos para radiografar juntas de soldaduras), na indústria diamantífera no processo de exploração mineira. É ainda utilizada nas empresas hidroeléctricas, de construção, portos e aeroportos (os chamados scanners)”, sublinhou o director-geral da AREA.

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