António Eugénio

Um dos caminhos encontrados pelo Governo angolano para dinamizar a economia nacional é a aposta em projectos agro-industriais de grandes proporções.

O objectivo visa sobretudo reduzir, a curto e médio prazo, a importação de produtos diversos, entre os quais, carne, leite e ovos. Para a viragem do actual quadro, o Executivo angolano vai contar com a participação do sector privado, tudo na perspectiva de reduzir em grande escala a dependência externa alimentar e melhorar a dieta a partir de alimentos produzidos pelo mercado nacional.

Por forma a alcançar a meta, o Governo anunciou recentemente que tem disponível mais de USD mil milhões para a criação de pólos agro-industriais no país.

Projectos Agro-Industriais

Estão previstos novos pólos, como é o caso do projecto agro-industrial de Camabatela (Kwanza-Norte), que abrange as províncias de Malanje e Uíje, com vista ao aumento da produção interna de bens de origem animal.

O empreendimento agrícola, que possui uma área de produção de gado de corte e bacia leiteira da Cela, província do Kwanza-Sul, vocacionada para à produção de gado de leite, irá permitir que Angola se torne, a médio prazo, auto-suficiente na produção de bens de origem animal.

Além do pólo de Camabatela, o Ministério da Agricultura (Minagri) prevê implantar, na província do Bengo, a fazenda agro-industrial “Rio Loge”, que vai apostar na produção especificamente de milho, feijão e batata. Ainda no Bengo, está prevista a promoção do pólo agro-industrial de Quiminha. Na Huíla, está projectado o de Calussinga.

Existem ainda em perspectivas a criação de outros pólos agro-industriais na província de Malanje, como o Kizenga e o da Kangandala, bem como um outro na província do Bié.

USD 369 milhões

O pólo agro-industrial de Capanda começa a ser implementado ainda no decurso deste ano pela Sociedade do Pólo de Desenvolvimento Agro-Industrial de Capanda (Sodepac) e vai consumir USD 369,351,415.

O projecto visa o desenvolvimento das comunidades rurais, potenciar a expansão do agro-negócio, bem como o incentivo à actividade agrícola e industrial, segundo informou o presidente do Conselho de Administração da Sodepac, Carlos Fernandes.

O responsável disse que o projecto agro-industrial de Capanda possui bom solo para o cultivo de diversas culturas, aliada à abundância de água e a energia eléctrica gerada pela Central Hidroeléctrica de Capanda.

Áreas abrangidas

O empreendimento compreende as localidades de Capanda e o Pungo Andongo e será implementado num período de três anos. Na primeira fase do empreendimento agrícola, serão gastos USD 173.695.512, na segunda, USD 77.311.010, enquanto na terceira fase USD 118.344.893. Estas verbas, que resultam de uma parceria público-privada, compreendem a construção de um sistema viário, infra-estrutura industrial, reactivação de estruturas de perímetros irrigados, reassentamentos e construção de unidade educacional agrícola.

Os montantes serão ainda empregues na criação do sistema de vaca mecânica leite soja, desenvolvimento da cadeia produtiva da mandioca e extensão rural.

O projecto vai ocupar um espaço de 411.048 hectares distribuídos em 277.568 hectares para a cultura de sequeiro, 18.021,00 hectares de perímetro irrigado e 10.049 para o reassentamento em sequeiro, assim como prevê uma reserva ambiental legal e preservação permanente de 69.893 hectares.

Em relação ao Projecto Pungo Andongo, que vai ocupar uma área de 35.517 hectares, irá produzir, entre outros bens, fuba de milho e girassol.

Consta como propósito da Sodepac criar infra-estruturas, concessão de incentivos, formação de quadros, oferta de mão-de-obra qualificada e a implementação de programas sociais.

Acção imediata

Para se atingir os objectivos preconizados, a sociedade passará a implementar um programa produtivo que aglutinará toda a cadeia produtiva e um sistema de avaliação periódica, envolvendo todos os parceiros do sistema produtivo.

Nas três fases previstas do projecto, terá a denominação de programa (prog-pdpac), que incidirá sobre o parcelamento da área agrícola em lotes e sectores, implementação de uma central de abastecimento para a venda de produtos agrícolas.

Leia mais sobre os pólos agro-industrais em Angola no Jornal de Economia & Finanças desta semana, que já está nas ruas.