José Chimuco

Como em qualquer outra cidade da dimensão de Luanda, com as suas particularidades específicas em termos de geografia urbana e população, os problemas de mobilidade de pessoas e bens na capital crescem diariamente, numa proporção por vezes inversa às medidas implementadas com vista à sua solução.

“As pessoas necessitam de se deslocar pelos mais variados motivos e os meios de locomoção disponíveis não são capazes de responder às necessidades de maneira rápida, cómoda e a preço razoável”, reconheceu em entrevista ao JE o presidente do Conselho de Administração da Autoridade de Transportes de Luanda, Hélder Preza, antigo vice-ministro para os Transportes Aéreos e Rodoviários.

Ante a insuficiência dos transportes públicos – apesar de estarem licenciados na cidade cinco operadores no segmento rodoviário (TCUL, Tura, SGO, Macon e Angoaustral) e de estar a circular o comboio – a maneira mais cómoda e a opção que as pessoas encontram para se deslocarem tem sido o recurso ao transporte próprio ou ao táxi colectivo.

E aqui começam os problemas, conforme o afirma Hélder Preza. “Como a geografia da cidade tem dimensões finitas, as vias existentes não são capazes de comportar os veículos que por elas circulam”, disse.

O gestor acrescentou a isso outros constrangimentos, como a falta de parques de estacionamento e a indisciplina de muitos dos utentes das vias, desde automobilistas aos próprios peões.

Situação preocupante - Hélder Preza avalia que esta situação não só é preocupante na dimensão da mobilidade propriamente dita, como igualmente no domínio da saúde pública.

“As longas horas de espera que os cidadãos têm que suportar nos meios de transporte, sejam eles individuais ou colectivos, contribuem para a deterioração da sua condição psíquica, e até mesmo física”, explicou.

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