Joaquim Suami, Correspondente

O governo Central está engajado no relançamento da indústria madeireira no país.

Apesar de ser conhecida sobretudo pelo seu principal recurso, o petróleo, a província mais setentrional de Angola, Cabinda, pretende, no quadro dos esforços nacionais de diversificação da economia, voltar a ocupar lugares cimeiros na exploração e comercialização da madeira, cuja produção actual apenas chega aos 20 mil metros cúbicos anuais, contra 200 mil atingidos em 1973.

Em 2008, segundo dados do Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF) de Cabinda, a província produziu 20 mil e 521 metros cúbicos de madeira, dos quais cerca de metade foi exportada. Esta quantidade é muito pouca, se se tiver em conta que a produção mundial ronda os 3,5 biliões de metros cúbicos anualmente.

A madeira originária de Cabinda é exportada em toros, visto vez que a província não dispõe de condições técnicas, humanas e infraestruturais com vista ao seu processamento industrial local, facto que faz baixar drasticamente os preços.

“A exportação de madeira serrada é uma actividade complexa que envolve um processo aturado de preparação e as exigências de qualidade são maiores”, disse ao JE o director provincial do IDF, Simão Zau.

Mercados externos

O produto tem como destinatários os Estados Unidos de América, China, França, Hong-Kong, Portugal e alguns países africanos. Os importadores de madeira exigem que ela seja seca em estufas, com um grau de humidade equivalente a dos países destinatários.

“A província não tem nenhuma empresa com a tecnologia de secagem da madeira em estufa”, afirmou o director do IDF.

Porém, o esforço a empreender neste segmento económico deve passar por novos investimentos com vista ao processamento industrial do produto, antes de ser exportado. E o negócio é bastante rentável. A nível mundial, movimenta-se anualmente a astronómica soma de USD 300 mil milhões.

Preços da madeira

Dados colhidos junto do IDF, em Cabinda, situam a cotação da madeira serrada em cerca de USD 500 por metro cúbico. Os toros, ou seja, os troncos de árvores abatidas, custam muito menos, na medida em que se trata de um produto bruto.

Outro aspecto que deve merecer a atenção dos responsáveis pelo sector tem a ver com a reabilitação das serrações, sendo que, neste momento, apenas quatro estão operacionais, o que é insuficiente. A exploração de madeira abarca actualmente 77 mil hectares do total de 250 mil da floresta do Maiombe. O sector emprega na província cerca de 800 trabalhadores.

Simão Zau sublinha que a floresta também tem estado a contribuir no combate à fome e à pobreza. Segundo anunciou, 80% da população do país depende, directa ou indirectamente, em menor ou maior escala, dos produtos florestais, sobretudo a partir da lenha e do carvão vegetal, dos materiais de construção civil, produtos de medicina tradicional, artesanato, resinas, fibras, além de constituírem uma fonte de alimentos, através da prática da agricultura, pecuária e caça, e ainda da recolha de frutos e tubérculos silvestres.

Governo arrecada USD 280 mil

O ano passado, a província exportou 9.800 metros cúbicos de madeira. Já em relação aos impostos cobrados pela exploração madeireira, o Governo arrecadou, em kwanzas, o equivalente a USD 280 mil, o que representa o dobro da receita do ano anterior.

Contribuíram para aquela soma os pagamentos das licenças de exploração, multas aplicadas por transgressões à legislação florestal vigente, impostos de exportação, transportação em regime de cabotagem, bem como o comércio transfronteiriço.

Leia mais sobre o assunto no Jornal de Economia & Finanças desta semana, que já está nas ruas.