José Chimuco

“É um desafio do Governo e de todas as forças vivas da Nação” – nestes termos se pronunciou o Primeiro-ministro de Angola, António Paulo Kassoma, quando, no dia 28 de Abril, anunciava publicamente a meta de produção, este ano, de 18 milhões 878 mil 250 toneladas de culturas alimentares e 67 mil 514 toneladas de produtos pecuários.

São apenas dois dos muitos objectivos a que se propõe o Governo, através do programa executivo do sector agro-pecuário e florestal nacional para o ano de 2009, com o concurso do sector privado e a promoção de parcerias público-privadas.

Paulo Kassoma, que discursava na abertura de uma conferência exclusivamente dedicada à apresentação do programa a empresários, políticos e especialistas, anunciou ainda que, também para este ano, está prevista a produção de 1 milhão 824 mil 661 toneladas de cereais, cifra insuficiente para satisfazer o consumo interno, já que, conforme indicou, são necessárias mais 700 mil toneladas para se cobrir o défice desses alimentos no país.

“A médio prazo, de acordo com o Plano Nacional do Governo, o objectivo é aumentar a área de cultivo em quatro milhões de hectares e produzir mais de 15 milhões de toneladas de cereais”, proclamou o Primeiro-ministro.

Quanto ao trabalho do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA), Paulo Kassoma disse que a sua acção tem como meta atingir um universo de um milhão 172 mil famílias camponesas em todo o país, num movimento associativo que poderá crescer para mais de 500 cooperativas e associações no meio rural.

Ainda de acordo com as orientações do Primeiro-ministro, a agricultura familiar deverá ser devidamente apoiada e assistida, quer do ponto de vista técnico, como financeiro, transformando-a de uma agricultura meramente de subsistência para uma agricultura de renda, orientada para o mercado, ao mesmo tempo que deverá garantir a segurança alimentar sustentada da família.

O apoio em inputs agrícolas e outros equipamentos é outro dos aspectos que Paulo Kassoma abordou. Indicou, neste sentido, que, até Setembro deste ano, deverão ser fornecidas 12 mil toneladas de sementes diversas, 4 milhões 520 mil instrumentos de trabalho, além de gado de tracção, carroças e semeadoras às empresas agrícolas familiares espalhadas pelo país.

Sector empresarial forte

Numa outra perspectiva, Paulo Kassoma evocou o imperativo de desenvolvimento de um sector empresarial forte, competitivo e capaz de levar o país aos lugares cimeiros na produção de alimentos e de outros produtos agro-pecuários e florestais.

Neste segmento, segundo anunciou, o Governo estabeleceu um programa e projectos a realizar, orçados em mais de Kz 79 mil milhões (cerca de USD mil 53 milhões). Do programa, destaca-se a implementação dos pólos agro-industriais de Capanda, Camabatela, Quiminha e Calussinga, bem como outros que, por iniciativa de investidores nacionais, poderão ser equacionados e desenvolvidos.

Realizada sob o lema “A produção alimentar e o combate à fome: uma prioridade de primeira linha”, a conferência comportou quatro painéis: desenvolvimento da agricultura familiar e comercial, e medidas e ainda incentivos ao desenvolvimento agro-pecuário e florestal.

Estiveram ainda em debate a investigação agrária e desenvolvimento tecnológico, e segurança alimentar e nutricional; infra-estruturas produtivas e de apoio à comercialização e parcerias público-privadas.

Leia mais sobre os investimentos de Angola no combate à fome na edição impressa do Jornal de Economia & Finanças, que já está nas ruas.