Isaque Lourenço

O crescimento económico e social que o país atravessa clama por uma expansão significativa da rede de abastecimento de combustíveis. É que, nos últimos tempos, se tem assistido a uma procura galopante do produto, o que pressupõe dizer que houve uma baixa na oferta, facto que tem deixado os consumidores desconfortados. Para já, existe um esforço abnegável das autoridades angolanas em equacionar o problema do fornecimento de combustíveis, quer na capital, quer nas zonas do interior de Angola. Segundo dados fornecidos ao JE, consta em agenda a construção de 40 novas infra-estruturas no decurso deste ano, e a meta até 2015, será de 999 postos a nível do território nacional. Neste momento, a Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol) controla pouco mais de 350 postos de abastecimento de derivados de petróleo. Além do melhoramento da rede de abastecimento, deve-se aumentar a capacidade de stocagem do derivado de petróleo, por forma a satisfazer a demanda, conforme sublinhou recentemente, em Luanda, o ministro dos Petróleos, José Maria Botelho de Vasconcelos. Para o efeito, o governante reconheceu que ainda há muito a ser feito, de maneira a se dar resposta

à elevada procura que se assiste no mercado nacional. Recordou que, de 2002 a 2008, só em seis anos, portanto, o consumo de derivados

de petróleo no país aumentou em cerca de 136%, passando de 1,4 milhões de toneladas métricas/ano para os 3,3 milhões em 2008.

De acordo com o ministro, impõe-se a necessidade urgente de se trabalhar para inverter o quadro da escassez de infra-estruturas de distribuição, sobretudo de postos de abastecimento e estações de serviços.

O ministro fez estas considerações no recente seminário de capacitação técnica, realizado em Luanda, de 22 a 24 de Abril, organizado pela Direcção Nacional de Comercialização, órgão afecto ao Ministério dos Petróleos (MINPET).

Empresariado nacional

Num claro desafio ao investidor privado, Botelho de Vasconcelos recomendou que, além dos esforços que estão a ser empreendidos pela Concessionária Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol), o sector possa contar igualmente com o contributo do empresariado

nacional na tarefa de reabilitação e ampliação da rede de distribuição.

Orientou ainda que, ao nível central, os órgãos responsáveis pelo licenciamento das actividades de distribuição e comercialização dos derivados de petróleo devem munir-se de conhecimentos técnicos indispensáveis, no intuito de puderem desempenhar cabalmente as suas funções.

Centro de treinamento

A Sonangol está a construir, em Luanda, um posto de abastecimento-escolar, que servirá de centro de treinamento e capacitação dos agentes económicos directamente ligados ao desenvolvimento da actividade.

Esta é, de resto, uma das muitas estratégias com que a empresa prevê alavancar a área dos derivados de petróleo e permitir a continuidade da aposta integral de formar o homem, por ser este o principal elemento do crescimento que se pretende na actividade, segundo enfatizou o director Nacional de Comercialização do Minpet, Albino Ferreira. Fazendo jus às suas palavras, o Ministério

e a Sonangol pretendem continuar a desenvolver estudos de viabilidade económica para a construção de novos postos de abastecimento

e de revenda de lubrificantes, gás e petróleo iluminante, assim como proceder à regulamentação do referido segmento.

Instalações e armazenagem

Os agentes que desenvolvem a actividade de venda de combustíveis em Luanda, instaram as autoridades para a necessidade contínua da requalificação, apetrechamento e alargamento das áreas de armazenagens dos diferentes produtos e de enchimentos, pelo país. Aliás, estas condições foram consideradas pelos responsáveis do sector essenciais para a melhoria da qualidade dos serviços e protecção do homem, o centro de toda essa actividade.

Leia mais sobre a distribuição de combustíveis em Angola no Jornal de Economia & Finanças desta semana, que já está nas ruas.